Estudo brasileiro mostra alívio da dor e melhora da qualidade de vida
Um estudo publicado na revista científica internacional Frontiers in Pharmacology aponta resultados promissores sobre o uso de extratos de Cannabis de espectro completo no tratamento da dor crônica em mulheres.
A pesquisa debruçou-se sobre condições marcadas por sofrimento persistente e por um impacto significativo na qualidade de vida das pacientes.
O trabalho foi realizado por pesquisadores brasileiros, com apoio técnico da AMA-ME, uma associação de pacientes de Belo Horizonte, e analisou, de forma retrospectiva, 29 mulheres com diferentes tipos de dor crônica.
O que foi estudado?
As participantes receberam extratos de Cannabis de espectro completo — formulações que reúnem diferentes compostos da planta, como o CBD (canabidiol) e o THC (tetrahidrocanabinol).
Os óleos utilizados contavam com controle de qualidade e certificado de análise, incluindo os fornecidos pela AMA-ME.
O tratamento não seguiu um protocolo de dose única. Cada paciente teve a prescrição ajustada de forma individualizada, de acordo com resposta clínica e tolerância, respeitando a complexidade das terapias baseadas em plantas medicinais.
Resultados que vão além da dor
Os resultados indicam um benefício consistente: todas as mulheres avaliadas relataram algum grau de alívio da dor após o uso dos extratos de Cannabis de espectro completo.
Além disso, houve relatos de melhora na qualidade do sono, redução de sintomas de ansiedade e irritabilidade, avanços na memória e concentração, maior funcionalidade no dia a dia e melhor desempenho em atividades sociais e profissionais.
Segundo o cirurgião oncologista Dr. Leandro Ramires, que participou da pesquisa, os achados demonstram que a Cannabis medicinal pode ser integrada ao cuidado clínico de forma personalizada, com impacto que vai além do controle do sintoma doloroso.
Para ele, trata-se de uma abordagem capaz de mitigar tanto os efeitos físicos quanto psicológicos da dor, promovendo ganhos concretos de funcionalidade e qualidade de vida.
Essa leitura aparece de forma sintética quando o médico afirma que os resultados “constituem evidência de mundo real com base científica”, reforçando a relevância dos dados produzidos fora do ambiente estritamente experimental.
Outro ponto relevante foi a redução da polifarmácia. Muitas pacientes conseguiram diminuir ou até suspender o uso de analgésicos potentes e psicotrópicos, medicamentos frequentemente associados a efeitos colaterais e prejuízos ao bem-estar.
O que isso significa?
Os achados reforçam que o uso medicinal da Cannabis exige uma abordagem cuidadosa e individualizada.
A resposta ao tratamento varia conforme características biológicas, clínicas e contextuais de cada paciente, afastando a ideia de protocolos rígidos ou de uma dose universal.
Ao mesmo tempo, os dados indicam que a Cannabis medicinal pode ocupar um papel terapêutico relevante no manejo da dor crônica e de condições associadas, com benefícios que se refletem em ganhos mais amplos de bem-estar, autonomia e funcionalidade cotidiana.
Relevância científica e política
A parceria com a AMA-ME é mais um passo nno esforço contínuo da associação em ampliar o acesso a tratamentos à base de Cannabis com qualidade, segurança e respaldo científico, especialmente diante das barreiras de custo e disponibilidade enfrentadas por muitos pacientes no Brasil.
Na avaliação do Dr. Leandro Ramires, associações de pacientes desempenham um papel estrutural nesse processo, ao viabilizar o acesso a extratos de espectro completo com controle de qualidade e concentrações de canabinoides verificadas por laboratórios independentes.
Sem essa infraestrutura, estudos clínicos com produtos que contenham THC seriam, em grande parte, inviáveis no país.
Essa importância é resumida pelo médico ao destacar que “a atuação de associações de pacientes é o pilar que sustenta a viabilidade de pesquisas clínicas sobre cannabis medicinal no Brasil”.
Ademais, a publicação na Frontiers in Pharmacology, periódico de alto impacto internacional, confere visibilidade aos resultados e projeta o Brasil no cenário global das pesquisas sobre Cannabis medicinal.
Limitações e próximos passos
É importante ressaltar que o estudo é retrospectivo e baseado em relatos das pacientes, não configurando um ensaio clínico randomizado.
Ainda assim, os resultados consistentes apontam para a necessidade de novos estudos prospectivos e controlados que possam confirmar e expandir essas evidências.
Mesmo com essas limitações, o trabalho representa um marco ao evidenciar o potencial terapêutico dos extratos de Cannabis em mulheres com dor crônica — um grupo historicamente sub-representado na pesquisa clínica.
Ao articular ciência, prática clínica e experiência do paciente, o estudo reforça a Cannabis medicinal como uma alternativa terapêutica segura, eficaz e personalizada.
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