Pesquisa inédita da Kaya Mind revela potencial econômico da cultura
O cânhamo — variedade da Cannabis sativa com baixíssimo teor de THC e amplo uso industrial — pode se tornar uma das culturas mais rentáveis do agronegócio brasileiro.
Dados inéditos levantados pela consultoria Kaya Mind mostram que, no cultivo dessa variação, o retorno líquido atinge R$ 23.306,80 por hectare, superando com folga soja (R$ 2.053,34/ha) e milho (R$ 3.398,34/ha) somados.
Além do valor agregado, o cultivo se adapta bem ao maquinário já utilizado no país, fomenta a rotação de culturas e contribui para a recuperação do solo — pontos centrais para uma agricultura mais sustentável.
“Vimos que o Brasil está no primeiro passo — a regulamentação da Cannabis medicinal — e agora existe uma pressão regulatória para o cânhamo industrial. Era fundamental atualizar nossos dados, trazendo informações mais atuais para o debate”, explica Thiago Cardoso, chefe de inteligência da Kaya Mind.
Metodologia
A pesquisa mapeou dados de mais de 30 países, incluindo EUA, Canadá, Espanha, Colômbia e China. Foram analisadas mais de 2 mil informações oficiais sobre rendimento, área plantada, clima, custos de produção e mercado.
“Analisamos o cenário agrícola desses países para entender quais se aproximam da realidade brasileira e, assim, projetar números que façam sentido para o Brasil com base no benchmark global.”, afirma Cardoso.
Para isso, utilizaram apenas dados oficiais, governamentais ou de instituições relevantes. Entre as mais de 56 fontes consultadas estão ONU, FAO, universidades e órgãos de agricultura.
Diversas aplicações
O cânhamo é uma cultura totalmente aproveitável, capaz de abastecer diferente cadeias produtivas com alto valor agregado. Na indústria têxtil, suas fibras originam tecidos extremamente duráveis, respiráveis e com menor impacto ambiental do que o algodão — já amplamente utilizados em moda sustentável e até em uniformes.
Na construção civil, o material se destaca pela produção de hempcrete, um bioconcreto leve e eficiente no isolamento termoacústico, além de compósitos estruturais usados em edificações de baixo carbono.
O setor de alimentos também encontra no cânhamo uma fonte nobre de proteína vegetal, farinhas, bebidas e óleos ricos em ômega-3 e ômega-6, alinhados ao crescimento do mercado de nutrição funcional.
Já na área de cosméticos e saúde, seus extratos — como o CBD — são aplicados em cremes dermatológicos, produtos voltados ao bem-estar e suplementos com alta demanda global.
Por fim, o cânhamo ainda é aproveitado como biomassa para energia, além de permitir a produção de papel de alta resistência sem necessidade de branqueamento químico.
Além da versatilidade industrial, a planta cresce rapidamente, consome menos água que culturas tradicionais como o algodão e capta grandes quantidades de carbono durante seu ciclo — atributos valiosos em um contexto de emergência climática.
Desenvolvimento rural e geração de renda
O cultivo pode ser especialmente estratégico para pequenas e médias propriedades do interior do país. Somente o plantio industrial de cânhamo tem potencial de criar mais de 200 mil empregos diretos no Brasil, segundo a pesquisa.
“A agricultura familiar é essencial para colocar comida na mesa dos brasileiros. Se houver planejamento, o cânhamo pode fortalecer a economia local e reduzir desigualdades no campo”, afirma Cardoso.
Na Colômbia, o setor já registra 17,3 empregos gerados por hectare — taxa muito superior a outras cadeias produtivas.
Potencial travado
Mesmo com resultados robustos, o avanço do cânhamo ainda enfrenta forte resistência regulatória no país.
“As barreiras não são científicas. São desinformação, preconceito e disputa política. O tema ainda é tratado sob o viés moralista da ‘guerra às drogas’, não em evidências científicas”, critica o especialista.
Thiago argumenta que, se o debate fosse guiado por ciência, economia e desenvolvimento rural, o Brasil estaria hoje em um cenário semelhante ao de países líderes no setor.
Cânhamo: a nova fronteira agrícola brasileira?
Com clima favorável, tecnologia agrícola consolidada e forte capacidade industrial, o Brasil reúne condições estratégicas para assumir protagonismo no mercado latino-americano de cânhamo.
No centro das discussões que podem impulsionar essa nova cadeia produtiva está a ExpoCannabis Brasil, que acontece nos dias 14, 15 e 16 de novembro, no São Paulo Expo.
O evento reunirá entusiastas, especialistas e empresas para debater o avanço regulatório e as oportunidades econômicas de uma cultura com potencial para transformar o campo e gerar desenvolvimento.
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O uso medicinal da Cannabis já está regulamentado pela Anvisa desde 2014. Médicos, cirurgiões-dentistas e médicos veterinários – com registro profissional ativo – estão aptos a prescrever fitocanabinoides (moléculas medicinais da Cannabis).
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