Ensaio clínico aponta eficácia do tratamento sem sinais de dependência ou abuso
Um novo ensaio clínico publicado na Nature Medicine revelou que um extrato padronizado de Cannabis sativa, chamado VER-01, pode se tornar uma alternativa promissora para o tratamento da dor lombar crônica.
Os dados mostraram que o medicamento reduziu a dor, melhorou a função física e contribuiu para noites de sono mais reparadoras em centenas de pacientes. Tudo isso sem apresentar sinais de dependência ou abuso, um ponto crucial quando se fala em tratamentos de longo prazo.
O estudo é considerado um dos mais robustos já realizados sobre Cannabis medicinal, por ser de fase 3, multicêntrico e controlado por placebo.
Como foi feita a pesquisa
A pesquisa envolveu mais de 800 pessoas com dor lombar persistente, acompanhadas em quatro etapas que incluíram fases duplo-cegas, períodos de seguimento aberto e até uma etapa de retirada, para avaliar se os efeitos se mantinham.
O extrato — padronizado com 5% de THC (tetrahidrocanabinol) e pequenas quantidades de outros canabinoides e compostos ativos — foi comparado a placebo em pacientes que já haviam testado outros analgésicos sem sucesso.
Resultados promissores
Os resultados chamaram atenção logo na primeira fase. O grupo que recebeu o VER-01 apresentou uma redução significativa da dor em relação ao placebo. Entre pacientes com componente neuropático, a melhora foi ainda mais marcante, sugerindo que esse perfil pode se beneficiar de forma especial.
Após seis meses de uso contínuo, a redução média chegou a três pontos em uma escala de zero a dez, efeito que se manteve por mais de um ano. Até o final do estudo, mais da metade dos participantes atingiu pelo menos 30% de alívio da dor, resultado considerado clinicamente relevante em pesquisas da área.
Além da dor, houve ganhos importantes no sono, na capacidade de realizar tarefas diárias e na qualidade de vida em geral.
Esses resultados reforçam a ideia de que a cannabis pode atuar não apenas no alívio imediato, mas também em aspectos complementares que afetam diretamente a vida de quem convive com dor crônica.
Segurança e efeitos adversos
Quando se olha para a segurança, surgem alguns pontos de atenção. Sintomas como tontura, náusea, boca seca e sonolência foram relatados com maior frequência no grupo tratado, especialmente nos primeiros dias de adaptação.
Apesar disso, a maioria dos efeitos foi classificada como leve ou moderada. A taxa de desistência por conta de reações adversas foi maior entre os que tomaram o extrato, mas o estudo não encontrou sinais consistentes de dependência, abstinência ou comportamento de abuso, um dado que reforça a segurança do composto.
Limitações do estudo
Os pesquisadores destacam que o ensaio trouxe evidências sólidas graças à padronização rigorosa do produto, mas também apontam limitações.
O extrato não foi comparado diretamente com opioides ou outros analgésicos de referência, o que dificulta medir sua eficácia em relação a esses tratamentos.
Além disso, a etapa de retirada, pensada para testar a durabilidade do efeito, não mostrou diferença estatística significativa entre os grupos.
O desafio do acesso seguro
Ainda assim, os resultados colocam o tema em outra perspectiva. Em países como o Brasil, onde o acesso a medicamentos à base de Cannabis segue restrito e cercado de incertezas regulatórias, o estudo traz um argumento de peso em favor da expansão do debate.
Ele mostra que, em condições controladas e com formulações padronizadas, a cannabis pode ser uma aliada real no combate à dor crônica.
Por fim, a pesquisa reforça que a Cannabis medicinal está deixando de ser apenas uma promessa distante. Os dados apontam para um potencial concreto de transformar a vida de milhões de pessoas que convivem com dor diariamente.
O desafio agora é garantir que esse avanço não fique restrito às publicações científicas, mas chegue de forma segura, eficaz e acessível aos pacientes que mais precisam.
Inicie seu tratamento
O uso medicinal da Cannabis já está regulamentado pela Anvisa desde 2014. Médicos, cirurgiões-dentistas e médicos veterinários – com registro profissional ativo – estão aptos a prescrever fitocanabinoides (moléculas medicinais da Cannabis).
Mais de 30 patologias podem ser tratadas com a Cannabis. Quer saber mais e dar início ao tratamento?
Entre em contato com o nosso acolhimento e marque uma consulta.
https://informacann.com.br/acolhimento-pacientes-informacann/






