Pesquisa revela alternativa eficaz para sintomas neurológicos de difícil controle

Um novo estudo publicado em julho de 2025 investigou os efeitos da Cannabis medicinal no tratamento da espasticidade em pessoas com lesão medular crônica.
Conduzida por pesquisadores do Instituto Guttmann, na Catalunha, a pesquisa acompanhou pacientes que sofriam com espasmos musculares persistentes e de difícil controle, mesmo após meses de reabilitação.

Para realizar o tratamento, os cientistas utilizaram o nabiximols, um spray oromucosal, ou seja, aplicado na parte interna da bochecha, à base de Cannabis que combina, em proporções equilibradas, CBD (canabidiol) e THC (tetrahidrocanbidiol). O medicamento já é aprovado em diversos países para tratar sintomas neurológicos e foi administrado ao longo de dois meses com o objetivo de avaliar sua eficácia na redução da espasticidade.

A pesquisa se concentrou em pacientes que, mesmo após seis meses ou mais de reabilitação, continuavam apresentando espasticidade moderada a grave e refratária ao tratamento convencional com medicamentos como baclofeno, benzodiazepínicos e toxina botulínica.

Metodologia do estudo

O estudo foi do tipo longitudinal, prospectivo e observacional, acompanhando adultos com lesão medular crônica atendidos no Instituto Guttmann, seja em regime de internação ou tratamento ambulatorial.

O objetivo foi avaliar como esses pacientes responderiam ao uso do nabiximols ao longo de dois meses, com doses ajustadas semanalmente de acordo com a percepção individual de melhora.
As avaliações aconteceram em três momentos: antes do início do tratamento, após um mês e ao final do segundo mês.

Os pesquisadores analisaram diversos aspectos clínicos, incluindo a intensidade da espasticidade (medida pela Escala Visual Analógica – EVA) e o grau de rigidez muscular (avaliado pela Escala de Ashworth Modificada – MAS), além da frequência dos espasmos.

Outros indicadores também foram observados, como dor neuropática, autonomia funcional, qualidade do sono e sintomas depressivos.
Por fim, os pacientes relataram sua percepção global de melhora, medida por meio da escala PGI-I (Patient Global Impression of Improvement).

Melhora significativa da espasticidade

Os resultados do estudo mostram que o uso de nabiximols teve um impacto positivo e significativo na redução da espasticidade. Já no primeiro mês de tratamento, a intensidade da espasticidade — medida pela Escala Visual Analógica (EVA) — caiu em média 30%, efeito que se manteve até o segundo mês.


A espasticidade motora, avaliada pela Escala de Ashworth Modificada, também apresentou uma melhora expressiva: redução de 60% no primeiro mês e de 52% no segundo. Além disso, 67% dos participantes relataram uma melhora geral em seu quadro clínico, segundo a escala PGI-I, que avalia a percepção subjetiva de evolução ao longo do tratamento.


Por outro lado, o estudo não identificou mudanças estatisticamente relevantes em outras variáveis associadas à condição. A frequência dos espasmos musculares não sofreu alterações significativas, assim como os níveis de dor neuropática, a qualidade do sono, a funcionalidade diária e os sintomas depressivos, que permaneceram estáveis durante os dois meses de observação com o uso de nabiximols.

O Que Os Resultados Revelam

A espasticidade é uma das complicações neurológicas mais recorrentes em pessoas com lesão medular, que pode persistir de forma crônica, comprometendo significativamente a mobilidade, o sono e a qualidade de vida.

Apesar da existência de tratamentos farmacológicos como baclofeno e benzodiazepínicos, esses recursos frequentemente se mostram insuficientes, além de apresentarem efeitos adversos relevantes, o que impulsiona a busca por terapias alternativas mais seguras e eficazes.

É nesse contexto que o estudo do Instituto Guttmann se destaca, ao indicar o potencial terapêutico do nabiximols como tratamento complementar para a espasticidade refratária.
Os dados apontam que dois terços dos participantes relataram melhora subjetiva após apenas dois meses de uso, reforçando a eficácia percebida do medicamento.

As escalas objetivas também mostraram reduções expressivas nos níveis de espasticidade, tanto na percepção da dor quanto na rigidez muscular. No entanto, é preciso sublinhar que os efeitos positivos do nabiximols foram majoritariamente restritos à espasticidade.

Variáveis clínicas importantes como dor neuropática, distúrbios do sono, limitação funcional e sintomas depressivos não apresentaram alterações estatisticamente relevantes durante o período de observação.

Essa distinção é crucial, pois indica que, embora o medicamento tenha um papel promissor no controle de espasmos, seus benefícios ainda não abrangem todo o espectro de sintomas relacionados à lesão medular.

 

Próximos passos

A pesquisa reforça a viabilidade do uso de canabinoides como estratégia complementar no manejo da espasticidade em pacientes com lesão medular crônica, sobretudo quando os tratamentos convencionais falham em oferecer alívio satisfatório. O nabiximols se mostra seguro, bem tolerado e capaz de proporcionar ganhos significativos em um dos sintomas mais incapacitantes dessa condição.

Contudo, os resultados também evidenciam os limites terapêuticos do composto quando se trata de abordar sintomas mais complexos e multifatoriais, como dor crônica, alterações no sono e disfunções emocionais.

Diante disso, os autores defendem a necessidade de novos estudos clínicos que explorem o uso de canabinoides com maior especificidade, tanto em termos de formulações quanto de indicações.
O avanço nesse campo pode abrir caminho para abordagens mais integradas, capazes de oferecer uma melhora mais ampla e duradoura na qualidade de vida dos pacientes.

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Published On: Agosto 5th, 2025 / Categories: Notícias / Tags: /