No Paraguai, a planta avança como alternativa nutritiva e sustentável

O universo da Cannabis medicinal é amplamente reconhecido por suas aplicações terapêuticas. Agora, uma vertente menos explorada — e igualmente promissora — começa a ganhar espaço no setor alimentício global: o cânhamo industrial.


Variedade da Cannabis sativa cultivada com baixos teores de THC (tetrahidrocanabinol), o cânhamo se consolida como um superalimento estratégico na construção de uma alimentação mais saudável e sustentável.

No Brasil, porém, esse avanço ainda é distante: o uso da Cannabis segue restrito ao campo medicinal, mediante prescrição médica. A utilização da planta para fins alimentares, mesmo em sua versão industrial sem efeito psicoativo, ainda não possui regulamentação permitida pela legislação nacional.


Entratonto, em alguns países com a legislação mais avançada, a cadeia produtiva dessa planta já começa a se estruturar, não só como alternativa agrícola, mas como uma inovação no setor de alimentos funcionais.


O Paraguai surge como um dos protagonistas desse cenário. Então, para compreender melhor o desenvolvimento da cadeia produtiva de alimentos à base de cânhamo no país, conversamos com Nicolás Paredes, vice-presidente da Câmara de Cânhamo Industrial do Paraguai.


Paraguai aposta no cânhamo


Antes de detalhar as inovações que vêm sendo implementadas no setor alimentício paraguaio, Nicolás contextualizou a importância da planta, destacando as diferenças essenciais entre o cânhamo e outras variedades da Cannabis.

Segundo ele, a distinção não é apenas legal, mas funcional: o cânhamo industrial é cultivado com teores mínimos de THC — inferiores a 0,3% — o que elimina qualquer efeito psicoativo.


Enquanto as variedades medicinais e recreativas da Cannabis são cultivadas principalmente para a extração de compostos como THC e CBD (canabidiol), o cânhamo se diferencia pelo seu potencial industrial amplo — abrangendo desde a produção de fibras e bioplásticos até cosméticos e suplementos — , com o setor alimentício despontando como um dos campos mais promissores para o aproveitamento de suas sementes.


Como resume o executivo, “do ponto de vista alimentar, o cânhamo é aproveitado por suas sementes ricas em nutrientes, enquanto a Cannabis medicinal se destina à produção de extratos e óleos terapêuticos.”

 

Uma Nova Geração de Alimentos Funcionais


No Paraguai, o desenvolvimento da indústria do cânhamo já se traduz na produção de uma linha variada de alimentos saudáveis e funcionais, aproveitando integralmente o potencial das sementes.


Segundo o vice-presidente, a produção se concentra hoje em quatro categorias principais: sementes descascadas, óleo, farinha e proteína isolada.


“As sementes descascadas, conhecidas como hemp hearts, são ideais para consumo direto ou para enriquecer pratos como saladas, vitaminas e iogurtes”, explica.


Já o óleo, obtido por prensagem a frio, é uma fonte rica de ácidos graxos essenciais. “Ele pode ser usado como suplemento ou tempero, sem passar por processos industriais agressivos, o que preserva suas propriedades nutricionais.”


Ademais, a farinha de cânhamo, resultado da moagem do resíduo da prensagem, surge como um ingrediente funcional para receitas sem glúten e panificados, enquanto, a proteína isolada da semente, em pó, destaca-se como uma opção prática e vegetal para o público esportista e para dietas plant-based.


“Todos esses produtos atendem a uma demanda crescente por alimentos nutritivos, sustentáveis e livres de alérgenos”, reforça Nicolás.

Em termos globais, o mercado de alimentos à base de cânhamo movimentou cerca de US$ 6,1 bilhões em 2024, com projeções que indicam um crescimento contínuo ao longo da próxima década. Segundo relatório da Zion Market Research, o setor deve alcançar aproximadamente US$ 9 bilhões até 2030, impulsionado pela demanda crescente por alimentos plant-based e funcionais

 

O potencial nutricional do cânhamo


Mais do que variedade, o cânhamo oferece densidade nutricional. As sementes são classificadas como um superalimento justamente pelo equilíbrio de seus nutrientes: proteínas vegetais completas — contendo os nove aminoácidos essenciais — e a proporção ideal de ômega 3 e 6 para o organismo humano. Minerais como ferro, zinco, magnésio e fósforo complementam o perfil nutricional.


Para o vice-presidente, esses atributos posicionam o cânhamo como “uma alternativa natural e sustentável frente a ingredientes industrializados e fontes animais de proteína”.


Entre os benefícios para a saúde, ele destaca a ação anti-inflamatória, o fortalecimento do sistema imunológico, a proteção cardiovascular e o suporte ao trânsito intestinal.


Quebrando Barreiras: Do Estigma à Adoção


Apesar das qualidades nutricionais e ambientais do cânhamo, a popularização desses produtos enfrenta entraves importantes, a começar pela desinformação do público. Muitas pessoas ainda associam o cânhamo à Cannabis psicoativa, desconhecendo que se trata de uma planta sem efeito recreativo ou medicinal, quando utilizada na alimentação.


Segundo Nicolás, “um dos principais desafios é quebrar o estigma em torno da planta Cannabis, mesmo quando falamos de cânhamo industrial, que não possui efeitos psicoativos.”


A ausência de regulamentações específicas e claras em alguns países, aliada à dificuldade de acesso a grandes canais de distribuição, também limita o crescimento do setor.


Em mercados internacionais, essas barreiras se traduzem em exigências rigorosas de certificações e padrões sanitários, além da necessidade de volumes produtivos consistentes para alcançar grandes redes varejistas.

 

A Revolução Alimentar do Cânhamo

Ademais, o cânhamo também se destaca na sustentabilidade ambiental. Trata-se de uma cultura de ciclo rápido, que demanda menos água e insumos químicos como fertilizantes e pesticidas, além de contribuir para a saúde do solo, funcionando como cultura regenerativa.


Embora o Paraguai ainda esteja em fase inicial de consolidação de sua cadeia produtiva, o otimismo é evidente. Com a superação de barreiras regulatórias e a educação do consumidor, especialistas acreditam que o país pode se tornar um dos polos sul-americanos na exportação de ingredientes derivados do material.


O cânhamo não é apenas uma matéria-prima agrícola: representa um avanço concreto rumo a uma alimentação global mais sustentável. Como resume o vice-presidente da Câmara de Cânhamo Industrial do Paraguai, trata-se de “uma oportunidade real para enfrentar a insegurança alimentar e a desnutrição.”

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Published On: Julho 15th, 2025 / Categories: Notícias / Tags: /