Após 20 anos convivendo com crises intensas de enxaqueca, Odelia encontrou no tratamento com canabidiol uma alternativa para recuperar autonomia e qualidade de vida
Durante duas décadas, a dor fez parte da rotina de Odelia. As crises de enxaqueca eram diárias, intensas e, muitas vezes, incapacitantes. “Era uma dor insuportável, que impossibilitava meus afazeres”, relata.
Antes de iniciar o tratamento com Cannabis medicinal, a paciente conta que tentou diferentes alternativas terapêuticas em busca de alívio. Entre elas, aplicações de ozônio, acupuntura, ácido hialurônico, piercing na orelha e diversos medicamentos para dor.
Ainda assim, nenhuma das abordagens trouxe melhora significativa. “A ineficácia dos tratamentos feitos até então foi o que me levou a procurar uma alternativa”, afirma.

Odelia Chastalo
Quando a dor impede a vida
A cefaleia crônica, especialmente quando associada à enxaqueca, pode afetar de forma profunda a vida social, profissional e emocional dos pacientes. No caso de Odelia, as crises constantes impactavam diretamente sua capacidade de realizar tarefas simples do dia a dia.
A dor, segundo ela, não era apenas frequente: era limitante. As crises fortes impediam que ela mantivesse uma rotina funcional e comprometiam sua autonomia. Esse tipo de relato é comum entre pacientes que convivem com dores crônicas sem controle adequado.
Embora existam tratamentos convencionais importantes para o manejo da enxaqueca, nem todos respondem da mesma forma às terapias disponíveis. Nesses casos, alternativas complementares, sempre com acompanhamento médico, podem ser consideradas.
Resistência antes do tratamento
Apesar de já ter ouvido falar sobre Cannabis medicinal havia muitos anos, Odelia conta que demorou para considerar essa possibilidade.“Eu sempre tive resistência ao uso”, relembra.
O receio da paciente reflete uma barreira ainda comum no Brasil: o preconceito em torno da Cannabis, mesmo quando utilizada com finalidade terapêutica, prescrição médica e acompanhamento profissional.
Aos poucos, porém, relatos de pacientes, avanços científicos e mudanças regulatórias têm ampliado o debate sobre o uso medicinal da planta.
No Brasil, os produtos de Cannabis seguem regulamentação sanitária da Anvisa, com marco estabelecido pela RDC 327/2019 e atualizações publicadas em 2026 para fabricação e importação desses produtos.
Melhora após o primeiro mês
Odelia iniciou o tratamento com a formulação Whole 3000mg, sob orientação profissional. Segundo ela, o começo foi tranquilo e os primeiros efeitos positivos apareceram após cerca de um mês.
“O início foi tranquilo. Com um mês de tratamento, já senti melhora”, conta.
A principal mudança foi percebida tanto na frequência quanto na intensidade das crises. Se antes as dores eram diárias e fortes, hoje elas aparecem de forma esporádica e mais leve.
Para Odelia, a Cannabis medicinal ajudou em dois aspectos: na prevenção das crises e no alívio quando a dor aparece. A diferença mais importante, no entanto, foi a retomada da qualidade de vida.
“Antes do tratamento, sentia dores fortes que impossibilitavam exercer meus afazeres. Hoje em dia, consigo elaborá-los com eficiência”, afirma.
O que a ciência já observa
O uso de canabinoides no manejo da dor e da enxaqueca ainda é um campo em desenvolvimento, mas estudos recentes têm apontado resultados promissores.
Um ensaio clínico randomizado publicado em 2024 avaliou Cannabis vaporizada para tratamento agudo de enxaqueca e observou que a combinação de THC e CBD foi superior ao placebo em alívio da dor após duas horas, com benefícios sustentados em 24 e 48 horas.
Ainda assim, especialistas reforçam que a resposta ao tratamento pode variar de pessoa para pessoa. Formulação, concentração, presença de diferentes canabinoides, histórico clínico, uso de outros medicamentos e acompanhamento médico são fatores essenciais para a segurança e efetividade da terapia.
Por isso, relatos como o de Odelia ajudam a ampliar a discussão, mas não substituem estudos clínicos maiores nem a avaliação individualizada por profissionais habilitados.
“Não sejam preconceituosos”
Depois de anos convivendo com dor e resistência ao tratamento, Odelia hoje deixa uma mensagem para outros pacientes que ainda sofrem sem encontrar controle adequado para suas crises.
“Que busquem o tratamento com canabidiol e não sejam preconceituosos, assim como eu fui por muitos anos”, diz.
Mais do que uma promessa de cura, o caso de Odelia mostra como o acesso à informação, à escuta médica e a alternativas terapêuticas seguras pode transformar a rotina de quem convive com dor crônica.
Inicie seu tratamento
O uso medicinal da Cannabis já está regulamentado pela Anvisa desde 2014. Médicos, cirurgiões-dentistas e médicos veterinários – com registro profissional ativo – estão aptos a prescrever fitocanabinoides (moléculas medicinais da Cannabis).
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