Formação acontece nos dias 18 e 19 de abril e reúne especialistas de diferentes áreas para discutir saúde, justiça social, regulação e práticas de cuidado com a Cannabis medicinal
Estão abertas as inscrições para o X Curso da Cultive, formação que chega à sua décima edição propondo um debate amplo sobre cultivo, redução de danos e uso terapêutico da Cannabis.
O evento será realizado nos dias 18 e 19 de abril, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, e conta com uma programação que reúne especialistas, pesquisadores, profissionais da saúde, ativistas e representantes de instituições de referência.
Promovido pela Cultive – Associação de Cannabis e Saúde, o curso é realizado em parceria com a Fiocruz, LAPS, ENSP e o Centro de Convivência É de Lei, com apoio da Unifesp.
A proposta desta edição é aprofundar a discussão sobre a Cannabis a partir de uma abordagem multidisciplinar, passando por aspectos históricos, sociais, culturais, jurídicos, fisiológicos, agronômicos, botânicos, bioquímicos, farmacológicos e clínicos.
Uma década de formação e incidência
Segundo Cida Carvalho, da organização, a décima edição carrega o legado de uma década de formação e incidência no campo da Cannabis medicinal.
“O principal objetivo desta edição é informar e conscientizar o público geral – desde pacientes e familiares até médicos e profissionais da saúde – sobre o uso terapêutico da planta e seu potencial na economia, no meio ambiente, na redução de danos e na justiça social”, afirma.
Para ela, o curso foi pensado como um espaço aberto e inclusivo. “É um convite para profissionais da saúde, operadores do direito, assistentes sociais, pacientes, familiares e qualquer pessoa curiosa e disposta a desbravar o universo transformador da Cannabis”, diz.
Programação reúne ciência, clínica e debate público
A programação deste ano reflete essa proposta plural. No sábado, 18 de abril, o curso começa com a apresentação da Cultive e segue com temas como história da maconha e sua proibição no Brasil, extração medicinal de Cannabis, controle de qualidade dos extratos e sistema endocanabinoide: fisiologia básica e emoções.
Ainda no primeiro dia, uma mesa-redonda debate o avanço regulatório no cenário político institucional.

No período da tarde, entram em pauta relatos de caso e aplicações clínicas em diferentes áreas, como psiquiatria, esporte, doença de Parkinson, Alzheimer, dor, sono, peso, odontologia e medicina veterinária.

A grade também abre espaço para uma discussão sobre novos canabinoides, como CBG, CBN e THCV, no manejo clínico.
Já no domingo, 19 de abril, a programação se volta com mais ênfase às dimensões sociais, culturais e práticas do tema. Estão previstos debates sobre justiça social e direitos, além de uma mesa sobre Cannabis, arte, cultura e saúde.

O encerramento inclui uma conversa sobre cultivo em ambiente externo, doméstico e em pequenos espaços, ampliando o olhar sobre autonomia, cuidado e redução de danos.
Curadoria aposta na diversidade de vozes
De acordo com Cida, um dos diferenciais do Curso da Cultive é justamente não limitar a discussão a uma única perspectiva.
“O curso se diferencia ao oferecer uma abordagem que integra conhecimentos científicos e práticos, permitindo aos participantes entenderem a Cannabis como uma poderosa ferramenta terapêutica e um símbolo de luta por justiça social, econômica e recuperação do planeta”, destaca.
Ela também ressalta que a curadoria foi construída para contemplar a diversidade do campo. Nesta edição, a seleção reuniu cerca de 30 a 40 especialistas, com temas que atravessam desde bases biológicas e terapêuticas até implicações sociais, jurídicas, agronômicas e econômicas da planta.
Informação como ferramenta contra o estigma
Em um momento em que o debate sobre Cannabis medicinal ganha mais densidade no Brasil, mas ainda enfrenta desinformação e estigma, a organização aposta no conhecimento como ferramenta de transformação.
“Participar do curso é uma oportunidade de entender como essa planta, muitas vezes mal interpretada, pode ser uma aliada fundamental na promoção da saúde, na revitalização da economia, na preservação do meio ambiente e na luta pela justiça social”, afirma Cida.
A trajetória da própria Cultive se confunde com esse processo. Segundo ela, a associação nasceu da luta pelo acesso ao tratamento com Cannabis para sua filha, Clárian, diagnosticada com síndrome de Dravet, e desde então vem atuando como uma das vozes pioneiras em São Paulo na defesa do uso terapêutico da planta.
“A Cultive não é apenas parte do debate; ela é a voz que clama por mudança”, resume.
Serviço
Evento: X Curso da Cultive
Data: 18 e 19 de abril de 2026
Local: Teatro Sérgio Cardoso
Inscrições: https://forms.gle/ocRpJpe2Zk2E9pEZ8






