Levantamento alemão acompanhou mais de 3,5 mil pacientes e identificou queda expressiva no consumo de opioides, antidepressivos, soníferos e outros fármacos 

Uma pesquisa conduzida na Alemanha pela Bloomwell Group, empresa especializada em Cannabis medicinal e saúde digital, trouxe dados relevantes sobre o impacto da terapia canabinoide no uso de outros medicamentos prescritos. 

O relatório The Cannabis Barometer Q1 2026, publicado em abril deste ano, analisou respostas de 3.528 pacientes coletadas em março de 2026, além de um banco de dados com prescrições anonimizadas emitidas entre janeiro de 2024 e março de 2026.

O principal achado: após o início da terapia com Cannabis medicinal, os pacientes reduziram em média 84,5% o uso de outros medicamentos prescritos. 

Em mais da metade dos casos, a redução foi total — a taxa média de interrupção completa chegou a 58,9% considerando todas as categorias de fármacos analisadas.

Soníferos e medicamentos para TDAH lideram as reduções

Entre as classes terapêuticas avaliadas, os medicamentos para dormir apresentaram os resultados mais expressivos. 

A redução média foi de 91,8%, sendo que 93,6% dos pacientes conseguiram diminuir o uso em pelo menos metade, e 75,5% interromperam completamente o uso dos soníferos prescritos.

Os medicamentos à base de metilfenidato — como a Ritalina, utilizada no tratamento do TDAH — também tiveram números significativos.  A redução média nesse grupo foi de 88,4%, com 77,3% dos pacientes relatando interrupção total do tratamento com o fármaco.

No caso dos antidepressivos, a redução média foi de 85,2%, e 67,6% dos participantes que faziam uso dessa classe conseguiram suspender completamente o tratamento. 

Para os analgésicos não opioides, a queda média foi de 79,4%, com 38,2% de interrupção completa.

Opioides: redução e abandono do tratamento

Os opioides merecem destaque especial. Entre os 615 pacientes que utilizavam essa classe de medicamentos antes de iniciar a terapia com Cannabis, a redução média foi de 83,9%, e 61% afirmaram ter suspendido totalmente o uso. 

Dos que conseguiram interromper completamente os opioides, 70,1% relataram não apresentar mais nenhum efeito colateral associado ao tratamento anterior.

O relatório aponta ainda que nenhum dos pacientes que anteriormente usavam opioides relatou piora dos efeitos adversos após iniciar a Cannabis medicinal.

Menos efeitos colaterais no cotidiano

O levantamento também avaliou a percepção dos pacientes sobre os efeitos adversos dos tratamentos. Após o início da terapia canabinoide, 60,7% dos entrevistados afirmaram não apresentar mais efeitos colaterais relacionados aos medicamentos que usavam anteriormente. 

Outros 37,9% relataram redução desses efeitos, enquanto apenas 1,4% indicaram que permaneceram iguais ou se intensificaram. O relatório identificou ainda uma correlação relevante: quanto maior a redução de outros medicamentos, menor a presença de efeitos colaterais. 

Pacientes que conseguiram interromper completamente o uso de outros fármacos apresentaram redução média de 88,6% dos efeitos adversos, enquanto aqueles que ainda relatavam efeitos intensos haviam reduzido outros medicamentos em apenas 44,2%.

Impacto na qualidade de vida

Além dos dados sobre medicamentos, o Cannabis Barometer Q1 2026 investigou os efeitos da terapia na rotina dos pacientes. 

Dentre os entrevistados, 67,8% relataram melhora na capacidade de concentração; 61,9% ampliaram suas interações sociais; e 53,9% registraram menos afastamentos do trabalho por motivos de saúde.

 Efeitos negativos sobre qualidade de vida e desempenho profissional foram relatados por uma parcela pequena: 2,5% sentiram queda de produtividade e 1,8% relataram isolamento social.

Como interpretar os dados

É importante contextualizar a natureza do estudo. O Cannabis Barometer não é um ensaio clínico randomizado — trata-se de um levantamento baseado em autorrelatos de pacientes e na análise de dados reais de prescrições, metodologia conhecida como real-world data.

Esse tipo de abordagem permite observar tendências na prática clínica, mas não permite estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre o uso da Cannabis medicinal e os desfechos observados.

Ainda assim, o volume de pacientes acompanhados e a consistência dos dados em diferentes categorias terapêuticas reforçam a relevância do levantamento para o debate científico sobre o papel da Cannabis medicinal como terapia complementar, especialmente em casos em que pacientes convivem com múltiplos medicamentos e efeitos adversos acumulados.

O relatório completo está disponível no site da Bloomwell Group: https://info.bloomwell.de/hubfs/Barometer/E%20The%20Cannabis%20Barometer%20Q1%202026.pdf

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Published On: Julho 8th, 2026 / Categories: Notícias / Tags: /