Pesquisa mostra que o CBD foi bem tolerado por cães, enquanto produtos com THC causaram efeitos adversos
O uso de Cannabis medicinal em animais de estimação vem crescendo em todo o mundo, especialmente para condições como epilepsia, osteoartrite e dermatites.
No entanto, apesar do aumento da popularidade desses tratamentos, ainda existem dúvidas sobre a segurança dos diferentes canabinoides em cães.
Agora, um estudo publicado no International Journal of Veterinary Science and Medicine avaliou os efeitos de óleos contendo canabidiol (CBD), tetrahidrocanabinol (THC) e uma combinação dos dois compostos em cães saudáveis.
Os resultados mostraram que o CBD apresentou um perfil de segurança favorável, enquanto formulações contendo THC provocaram diversos efeitos adversos, incluindo alterações cardíacas, tremores, vômitos e redução da temperatura corporal.
Como o estudo foi realizado
A pesquisa foi conduzida com seis cães da raça Beagle saudáveis, que receberam doses crescentes de três formulações diferentes: óleo rico em THC, óleo rico em CBD e uma formulação contendo ambos os canabinoides.
Os pesquisadores monitoraram diversos parâmetros fisiológicos, incluindo temperatura corporal, eletrocardiograma, variabilidade da frequência cardíaca, pressão arterial e função respiratória.
O objetivo era compreender como cada substância afeta o organismo dos animais e identificar possíveis sinais de toxicidade.
CBD apresentou boa tolerabilidade
Segundo os autores, o óleo rico em CBD foi bem tolerado pelos cães em todas as doses avaliadas. Os animais não apresentaram alterações significativas na temperatura corporal, na pressão arterial, na respiração ou nos parâmetros cardíacos monitorados.
Além disso, praticamente não foram observados sinais clínicos relevantes durante o período de avaliação.
Os pesquisadores destacam que esses resultados reforçam evidências anteriores que apontam o CBD como uma opção relativamente segura para aplicações terapêuticas veterinárias.
THC causou tremores, vômitos e alterações cardíacas
O cenário foi bastante diferente entre os cães que receberam THC. Os primeiros efeitos adversos apareceram a partir da dose de 2 mg/kg, incluindo tremores e queda significativa da temperatura corporal.
Em doses mais elevadas, alguns animais apresentaram vômitos, perda de coordenação motora (ataxia) e até episódios de incontinência urinária.
Além dos sinais clínicos, os pesquisadores observaram alterações importantes no funcionamento cardíaco. O THC promoveu redução da frequência cardíaca e prolongamento do intervalo QT — uma medida relacionada à atividade elétrica do coração que, quando alterada, pode aumentar o risco de arritmias.
Combinação reduziu efeitos negativos
Um dos achados mais interessantes do estudo foi que a combinação entre THC e CBD pareceu amenizar parte dos efeitos adversos observados com o THC isolado.
Embora os cães que receberam a combinação ainda tenham apresentado tremores, vômitos e hipotermia, alguns problemas observados com o THC sozinho — como ataxia, incontinência urinária e alterações mais expressivas no ritmo cardíaco — foram menos frequentes ou não ocorreram.
Os autores sugerem que o CBD pode exercer um efeito modulador sobre algumas ações do THC, hipótese que já vem sendo investigada em estudos com humanos e outros modelos animais.
O que isso significa?
A pesquisa reforça um ponto que veterinários especializados em medicina canabinoide frequentemente destacam: nem todos os canabinoides apresentam o mesmo perfil de segurança.
Enquanto o CBD demonstrou boa tolerabilidade mesmo em doses elevadas, o THC provocou efeitos fisiológicos importantes que exigem cautela, principalmente em formulações destinadas a cães.
Segundo os autores, os resultados ajudam a estabelecer parâmetros mais seguros para futuras pesquisas clínicas e para o desenvolvimento de tratamentos veterinários à base de Cannabis.
Eles também destacam que os cães parecem ser particularmente sensíveis aos efeitos do THC, o que reforça a importância de acompanhamento veterinário especializado e da utilização de produtos devidamente formulados para a espécie.
Mais pesquisas ainda são necessárias
Apesar dos resultados promissores para o CBD, os pesquisadores alertam que o estudo foi realizado com apenas seis animais saudáveis e teve foco principal na avaliação de segurança.
Por isso, novos estudos clínicos serão necessários para confirmar os efeitos terapêuticos dos canabinoides em diferentes doenças, além de determinar doses ideais e protocolos de uso para cada condição veterinária.
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