Entre jornadas de tratamento, luto e acolhimento, mães mostram que o acesso à Cannabis também é uma história sobre amor, resistência e direito à qualidade de vida
Neste Dia das Mães, celebrado no domingo, 10 de maio, é importante lembrar das mulheres que carregam, muitas vezes de forma silenciosa, a luta pelo acesso à Cannabis medicinal no Brasil.
Mães que transformaram o cuidado em busca por informação, enfrentando barreiras, preconceitos e burocracias, e abrindo caminhos para garantir mais qualidade de vida aos seus filhos.
Por trás de cada paciente em tratamento com Cannabis medicinal, muitas vezes existe uma mulher que precisou se tornar cuidadora, pesquisadora, articuladora, ativista e, ainda assim, mãe.
As histórias de Fernanda Ribeiro de Carvalho, assistente executiva na Revivid Brasil, e Paula Paz, representante da Revivid Brasil, mostram esse lado menos visível do tratamento: o da mulher que sustenta a jornada de cuidado, muitas vezes antes mesmo que a sociedade esteja preparada para compreender suas escolhas.
Quando a Cannabis se torna esperança
Para Fernanda, a Cannabis medicinal entrou na vida da família quando sua filha, Maria Luiza, tinha 4 anos. Nascida em 2011, Malu tinha Síndrome de Rett e passou a enfrentar um quadro grave de epilepsia, com crises que os medicamentos convencionais não conseguiam controlar.

Fernanda e Malu
Ao longo do caminho, a família tentou mais de dez medicações. Em determinados períodos, Maria Luiza chegou a usar cinco remédios ao mesmo tempo. Mesmo assim, as crises persistiam. Ela chegou a ter cerca de 20 episódios convulsivos por dia, além de enfrentar efeitos colaterais importantes.
A possibilidade da Cannabis medicinal surgiu após um congresso. Na época, o acesso ainda era mais restrito e poucas famílias conheciam, de fato, esse caminho terapêutico. Mas a informação ficou como uma esperança.
Fernanda procurou o médico que havia palestrado no evento e, por meio dele, conseguiu a primeira receita. Foi o início de uma mudança profunda na rotina da família.
Com o tratamento, as crises de Maria Luiza foram reduzidas para uma ou duas no dia. A família também conseguiu iniciar o desmame de diversas medicações.
Malu passou a dormir melhor, ficou mais presente, confortável e disposta. Com menos crises e menos efeitos colaterais, também passou a aproveitar melhor as sessões de fisioterapia.
“Eu acredito, de coração, que esse cuidado também contribuiu para prolongar a vida dela e, principalmente, para dar mais qualidade ao tempo que tivemos juntas”, conta Fernanda.
O cuidado como missão e legado
Em 2024, Fernanda enfrentou a partida de Maria Luiza. Desde então, sua maternidade passou a ser atravessada também pela saudade, pela memória e pelo amor que permanece vivo na forma como ela fala sobre Malu e sobre o cuidado.
“Cuidar da Maria foi a missão da minha vida. Foi também o maior legado que ela me deixou. Tudo o que eu sei hoje sobre força, amor e superação veio dela”, afirma.
Para Fernanda, cada avanço da filha tinha um valor imenso. Cada pequena conquista carregava uma história de esforço, entrega e cuidado que só quem vive a rotina de uma mãe cuidadora consegue compreender por completo.
A perda de Maria Luiza não apagou esse vínculo. Ao contrário, transformou a relação em presença de outra forma.
“O maior amor do mundo continua vivo em mim todos os dias”, diz.
Hoje, Fernanda também é mãe de Bernardo, de 3 anos, a quem atribui parte da força para seguir após a perda da filha.
“Ainda estou tentando me entender, tentando descobrir como é viver sem ser a mãe da Malu fisicamente presente. Tenho o Bernardo, que foi quem me sustentou de pé depois de perder minha filha”, relata.
O tratamento que mudou a vida de Daniel
Na vida de Paula Paz, a Cannabis medicinal chegou em 2017, depois de um seminário sobre autismo em Brasília. Na época, seu filho Daniel tinha 9 anos, diagnóstico de autismo e epilepsia, e fazia uso de medicações alopáticas sem sucesso no controle do quadro.]

Paula e Daniel
A palestra abriu uma nova possibilidade. Paula começou a estudar, entrou em grupos de discussão sobre Cannabis medicinal e decidiu iniciar o tratamento do filho. Primeiro, com um óleo de cultivo associativo.
Depois, com produtos da Revivid Brasil, que, segundo ela, fizeram diferença significativa na vida de Daniel. Antes disso, os desafios eram muitos: dificuldade de acesso, falta de médicos com experiência no tratamento, alto custo de consultas e medicamentos, além da necessidade, comum a muitas famílias, de recorrer à judicialização para conseguir manter o cuidado.
Mesmo diante das barreiras, as mudanças apareceram rapidamente. Em um mês, Paula já percebia transformações importantes. A salivação excessiva de Daniel cessou, os episódios de agressividade e irritabilidade diminuíram, a concentração melhorou e as crises convulsivas passaram a ficar controladas por longos períodos.
“Costumo dizer que, com a Cannabis, eu conheci uma outra criança”, afirma Paula.
Com o tratamento, Daniel passou a interagir mais com a família, demonstrar interesses, expressar preferências e se conectar com as atividades de que mais gosta. Para Paula, a Cannabis medicinal representou não apenas uma resposta clínica, mas uma nova forma de convivência.
Mães que também precisam ser cuidadas
As duas histórias revelam um ponto central: mães cuidadoras também precisam de cuidado. Fernanda lembra que a rotina de uma mãe atípica costuma ser pesada, física e emocionalmente. Muitas vezes, a vida gira inteiramente em torno do tratamento, das terapias e das urgências do filho.
Isso pode gerar isolamento social, interrupção de carreira e perda de autonomia. Para ela, mães cuidadoras precisam de acolhimento, escuta, orientação médica séria, apoio psicológico e ajuda prática no dia a dia.
Também precisam de oportunidades de trabalho que respeitem suas realidades. Foi nesse contexto que a Revivid Brasil passou a ter um papel importante em sua trajetória.
A empresa, onde Fernanda comprava o CBD usado por Maria Luiza, conta com um programa de contratação de mães atípicas. Para ela, essa foi a primeira vez em que se sentiu vista também como profissional.
“A Keila Santos, nossa CEO, tem esse olhar humano de entender que o tempo de uma mãe atípica não é o mesmo tempo de uma mãe típica. Existem demandas, imprevistos e uma rotina diferente”, relata.
Paula também enxerga o apoio às mães como parte essencial da pauta. Para ela, é preciso garantir rede de apoio, cuidado com a saúde mental e física, momentos de lazer e relaxamento, prioridade no acesso a consultas e tratamentos, além de informação de qualidade sobre a Cannabis medicinal.
Informação contra o medo e o preconceito
Apesar dos avanços na regulamentação e no debate público, o preconceito ainda é uma das maiores barreiras enfrentadas por famílias que buscam a Cannabis medicinal.
Paula lembra que o medo de julgamento ainda afasta muitas mães do tratamento. Segundo ela, mesmo em 2026, a sociedade ainda encontra dificuldade para discutir a planta a partir da ciência, do cuidado e da saúde.
“Em pleno 2026, com a regulamentação no país, ainda encontramos a sociedade despreparada para discutir um tema tão importante, que pode mudar a vida de milhares de pessoas”, afirma.
Fernanda também reforça a importância da informação. Para ela, outras mães precisam saber que existem caminhos possíveis, ainda que cada criança responda de uma forma. A Cannabis medicinal pode representar esperança e alívio, principalmente para famílias que já chegaram ao limite tentando alternativas que não funcionaram.
“Se eu pudesse voltar no tempo, sem dúvidas, a Cannabis seria a minha primeira opção para a Malu”, diz.
A mulher por trás da jornada
Neste Dia das Mães, as histórias de Fernanda e Paula mostram que o cuidado não é feito apenas de força. Ele também é feito de cansaço, medo, dúvida, estudo, escolhas difíceis, renúncias e amor.
Muitas mães que atravessam jornadas de tratamento se tornam referência para outras famílias não porque nunca fraquejam, mas porque seguem mesmo nos dias em que tudo parece pesado demais.
“Não existe mãe guerreira o tempo todo. Existe mãe humana, que sente, chora, se preocupa, se doa e segue mesmo cansada”, resume Fernanda.
Paula, que se tornou mãe ativista da causa, também deixa uma mensagem para outras mulheres que enfrentam caminhos semelhantes: que busquem informação, que sejam acolhidas e que encontrem apoio para tomar decisões com segurança.
“Agradeço às mães ativistas dessa causa que, antes de mim, já estavam na luta para que eu e milhares de mães pudéssemos ter acesso à Cannabis, uma planta milenar e ancestral”, afirma.
Mais do que uma homenagem, este Dia das Mães também é um convite para olhar para quem cuida. Porque, por trás de cada tratamento, existe uma mulher tentando garantir ao filho não apenas mais dias de vida, mas mais presença, conforto, dignidade e qualidade no tempo compartilhado.
Inicie seu tratamento
O uso medicinal da Cannabis já está regulamentado pela Anvisa desde 2014. Médicos, cirurgiões-dentistas e médicos veterinários – com registro profissional ativo – estão aptos a prescrever fitocanabinoides (moléculas medicinais da Cannabis).
Mais de 30 patologias podem ser tratadas com a Cannabis. Quer saber mais e dar início ao tratamento?
Entre em contato com o nosso acolhimento e marque uma consulta.
https://informacann.com.br/acolhimento-pacientes-informacann/






