Quarta edição do evento reúne especialistas em regulação, pesquisa, indústria e agronegócio para discutir os rumos do mercado brasileiro

O Cannabis Connection 2026 acontece em São Paulo, no dia 5 de novembro, a partir das 14h, no Edifício JK 1600.

Em sua quarta edição, o evento reunirá representantes de órgãos reguladores, instituições de pesquisa, indústria farmacêutica, agronegócio, varejo e empresas do setor.

Entre os temas em debate estão o crescimento do mercado brasileiro de Cannabis medicinal, as mudanças regulatórias e os desafios para desenvolver a produção nacional, além das oportunidades de negócio em diferentes etapas da cadeia produtiva.

Um mercado em expansão

A programação foi organizada para discutir diferentes etapas da cadeia produtiva, desde os canais de acesso aos produtos à base de Cannabis até as condições necessárias para desenvolver uma indústria nacional competitiva.

Entre os temas previstos estão o avanço das importações, a expansão do mercado farmacêutico, as mudanças nas normas sanitárias e os desafios técnicos e econômicos relacionados ao cultivo no Brasil.

O encontro ocorre em um cenário de crescimento da demanda. Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mostram que o país registrou 114.708 solicitações de importação de produtos à base de Cannabis no primeiro semestre de 2026, ante 75.852 no mesmo período de 2024.

O aumento foi de 51,2% em dois anos. Na comparação entre os primeiros semestres de 2025 e 2026, a alta foi de 27%.

Os números, vinculados à RDC nº 660/2022, que estabelece critérios para a importação excepcional desses produtos por pessoas físicas para uso próprio, não correspondem necessariamente ao total de pacientes atendidos ou de importações efetivamente concluídas.

Ainda assim, ajudam a dimensionar a relevância desse canal de acesso no Brasil.

Desafios estruturais

Além das importações, o canal farmacêutico também apresenta sinais de expansão. Em análise publicada em outubro de 2025, dados da Close-Up International apontaram crescimento superior a 70% do mercado farmacêutico de Cannabis desde o início de sua comercialização.

O levantamento também identificou espaço para ampliar a distribuição dos produtos nas farmácias brasileiras.
Esses números, no entanto, correspondem ao período analisado em 2025 e não representam uma medição atualizada do mercado em 2026.

A expansão comercial coloca em evidência questões que vão além do aumento da demanda. A qualificação das prescrições, a formação dos profissionais de saúde, a produção de evidências científicas e a segurança dos produtos são aspectos importantes para a consolidação do segmento.

Ao mesmo tempo, empresas e investidores precisam avaliar os custos de operação, as exigências sanitárias e as condições de concorrência em cada etapa da cadeia.

Para o Dr. Pedro Pierro, diretor científico da Sechat, a evolução tecnológica precisa ser acompanhada pela ampliação do conhecimento sobre Cannabis medicinal.

“Hoje, milhares de pessoas no Brasil já têm acesso a produtos à base de Cannabis, e esse avanço traz uma responsabilidade importante para o setor: ampliar o conhecimento científico e a educação médica.”, afirma Pierro

Dr. Pedro Pierro, diretor científico do Sechat.

Ele destaca que o avanço dos tratamentos traz a responsabilidade de fortalecer a educação médica e o acesso a informações qualificadas.

“O crescimento desse mercado precisa caminhar junto com a formação médica, a pesquisa e o compromisso com a segurança dos pacientes”, conclui.

Regulamentação influencia oportunidades de negócio

O ambiente regulatório é outro fator determinante para o desenvolvimento do setor. As normas sanitárias estabelecem condições específicas para atividades como importação, fabricação, comercialização, pesquisa e cultivo, de acordo com a modalidade e a finalidade de cada operação.

Compreender essas diferenças é essencial para empresas que pretendem ingressar no mercado ou ampliar suas atividades.

As mudanças nas regras também reacendem o debate sobre a capacidade brasileira de estruturar uma cadeia produtiva própria, desenvolver fornecedores nacionais e reduzir gargalos que afetam a competitividade.

A programação do Cannabis Connection contará com a participação de Ana Cecília Carvalho, farmacêutica e especialista em regulação de medicamentos e fitoterápicos na Anvisa.

Também estarão presentes Carolina Sellani, internacionalista e coordenadora do Grupo de Trabalho de Insumos de Cannabis na Associação Brasileira da Indústria de Insumos Farmacêuticos (ABIQUIFI), e Leonardo Navarro, advogado especializado em direito à saúde e Cannabis medicinal e diretor jurídico do Instituto de Conexão e Regulação (ICR).

A presença de especialistas dessas áreas permitirá discutir como as normas influenciam decisões empresariais, custos, parcerias e investimentos, além das condições necessárias para desenvolver atividades de pesquisa, produção e comercialização dentro das exigências sanitárias.

Cultivo nacional e competitividade

O desenvolvimento da produção brasileira é outro eixo central do debate. A construção de uma cadeia produtiva envolve diferentes etapas, como pesquisa agropecuária, desenvolvimento genético, cultivo, processamento e fabricação de produtos.

A integração entre essas atividades pode abrir oportunidades econômicas, mas depende de condições técnicas, regulatórias e comerciais que tornem as operações viáveis.

Em 2026, novas regras da Anvisa para atividades relacionadas à pesquisa e ao cultivo de Cannabis para fins medicinais e farmacêuticos ampliaram as discussões sobre as possibilidades de produção nacional.

As disposições aplicáveis a variedades com teor de THC igual ou inferior a 0,3% também passaram a integrar o debate sobre competitividade.

Essas autorizações, contudo, não representam uma liberação irrestrita do cultivo nem dispensam o cumprimento das exigências aplicáveis ao processamento, à fabricação e ao controle sanitário dos produtos.

Para Beatriz Marti Emygdio, pesquisadora e presidente do Comitê Permanente de Assessoramento Estratégico em Cannabis da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a regulamentação precisa considerar as condições econômicas necessárias para que o país consiga competir no setor.

“Não basta regular o cultivo, é preciso regular para competir”, afirmou a pesquisadora.

Beatriz Marti Emygdio, pesquisadora e presidente do Comitê Permanente de Assessoramento Estratégico em Cannabis da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Entre os desafios estão a disponibilidade de genética adaptada às condições brasileiras, o desenvolvimento de cultivares, o controle fitossanitário, a padronização da matéria-prima e a oferta de sementes e mudas.

Os custos de produção também influenciam a viabilidade das operações e a capacidade de competir com fornecedores internacionais.

Por isso, o crescimento da demanda não garante, por si só, a consolidação de uma cadeia produtiva nacional.

É necessário avaliar as condições de cada etapa e a capacidade de atender aos requisitos regulatórios e de qualidade exigidos para os produtos.

Mercado brasileiro busca espaço global

Para Daniel Jordão, CEO do Sechat, o mercado brasileiro de Cannabis está em processo de amadurecimento, mas ainda precisa transformar seu potencial em capacidade competitiva.

O executivo destaca que o país reúne oportunidades relacionadas à dimensão do mercado, à produção de conhecimento e à participação de diferentes setores da economia.

“O mercado brasileiro de Cannabis está amadurecendo, e o desafio agora é transformar o potencial que o país reúne em uma posição de referência global.”

Daniel Jordão, CEO do Sechat.

No entanto, avalia que essas condições não se convertem automaticamente em protagonismo internacional.

“Esse potencial não se converte automaticamente em protagonismo. Precisamos discutir como avançar em competitividade, segurança regulatória, inovação e desenvolvimento de negócios capazes de atuar em um ambiente cada vez mais exigente.”

Ele afirma que o Cannabis Connection foi concebido também para reunir os diferentes agentes do setor e discutir os caminhos possíveis para a próxima etapa de desenvolvimento do mercado.

A proposta do encontro é aproximar dados de mercado, conhecimento técnico e experiências empresariais para avaliar como o setor pode responder às mudanças regulatórias, ampliar sua capacidade produtiva e desenvolver oportunidades de negócios sustentáveis.

Especialistas discutem os próximos passos do setor

Além dos especialistas em regulação, insumos e produção agropecuária, a programação contará com:

  • Allan Paiotti, CEO da Cannect, que apresentará dados sobre o mercado de importação pela RDC nº 660/2022; 
  • Bianca Aparecida Lamim, analista sênior de Market Insights da Close-Up International, que abordará o mercado farmacêutico; 
  • Beatriz Marti Emygdio, da Embrapa, que contribuirá para a discussão sobre pesquisa, cultivo e produção nacional;
  • Bruno Pegoraro, cofundador e presidente do Instituto Ficus; 
  • Edmar Martinez, empresário e líder da operação na América do Sul da Advanced Nutrients; 
  • Milena Rocha, gerente nacional de Medicamentos Especiais do Grupo DPSP, responsável pelas redes Drogaria São Paulo e Drogarias Pacheco;  
  • Leandro Luize, editor-chefe e gestor de jornalismo do portal Panorama Farmacêutico.

A expectativa é reunir diferentes perspectivas sobre os desafios enfrentados por empresas em estágios distintos, desde a entrada no mercado até a expansão de operações já estabelecidas.

O debate deve abordar como indicadores de demanda, mudanças regulatórias, custos, concorrência e capacidade produtiva influenciam as decisões de quem atua ou pretende investir no setor.

Serviço – Cannabis Connection 2026

Data: 5 de novembro de 2026
Horário: a partir das 14h
Local: Edifício JK 1600
Endereço: Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, 1600, Itaim Bibi, São Paulo (SP)
Informações e inscrições: https://cannabisconnection.com.br/

Published On: Outubro 20th, 2026 / Categories: Notícias / Tags: /