Tratamentos com canabinoides ganham espaço e oferecem bem-estar, segurança e eficácia para cães e gatos
Ainda pouco conhecida por grande parte dos tutores de pets, a Cannabis medicinal tem se tornado uma importante aliada no tratamento de diversas condições clínicas em cães, gatos e até mesmo em animais de grande porte.
Com propriedades terapêuticas reconhecidas pela ciência, seus compostos atuam diretamente no sistema endocanabinoide — presente em todos os mamíferos — ajudando a modular funções como dor, inflamação, sono, apetite, ansiedade e imunidade.
A Dra. Fabiana Reis (CRMV-MG 14053), médica veterinária com 18 anos de experiência na clínica e cirurgia de pequenos animais, é uma das especialistas que têm apostado na integração da Cannabis em tratamentos veterinários.

Dra. Fabiana Reis
“Fui buscando alternativas para minimizar o sofrimento e melhorar a qualidade de vida dos animais. Me aproximei da clínica integrativa, e foi aí que me deparei com a Cannabis medicinal. Hoje tenho muita experiência e feedbacks positivos”, relata.
De onde vem o efeito: o sistema endocanabinoide
Assim como os seres humanos, os animais também possuem um sistema endocanabinoide — um complexo sistema biológico responsável por regular funções essenciais como dor, humor, apetite, sono, resposta imunológica e inflamação.
Esse sistema é composto por receptores canabinoides, que estão distribuídos por todo o corpo, principalmente no sistema nervoso e imunológico.
Quando os fitocanabinoides presentes na planta da Cannabis — como o CBD (canabidiol), o THC (tetra-hidrocanabinol) e o CBG (cannabigerol) — se ligam a esses receptores, eles atuam promovendo o reequilíbrio do organismo.
Na prática clínica, o composto mais amplamente utilizado é o CBD, por suas propriedades anti-inflamatórias, analgésicas, ansiolíticas e anticonvulsivantes, e pelo fato de não causar efeitos psicoativos.
O THC, embora mais restrito, também tem papel importante, especialmente no controle de dores severas, náuseas, inapetência e cuidados paliativos. O CBG, ainda em estudo, tem se mostrado promissor no suporte a distúrbios intestinais, inflamações e até glaucoma.
A escolha do tipo de formulação, no entanto, vai muito além do canabinoide principal: há uma distinção crucial entre os óleos isolados e os full spectrum.
“Na veterinária, não costumo usar óleos isolados. A gente trabalha com óleo full spectrum, que tem todos os compostos da planta. Em alguns casos, usamos formulações mais ricas em CBD, em outros, com mais THC ou CBG. A escolha depende do objetivo do tratamento e do quadro clínico do animal”, explica a veterinária.
Óleo isolado x óleo full spectrum: qual a diferença?
O óleo isolado contém apenas um único canabinoide ativo — geralmente o CBD — isolado de todos os outros componentes da planta.
Já o óleo full spectrum preserva uma gama completa de compostos naturais da Cannabis, incluindo diferentes canabinoides, terpenos (responsáveis por aromas e efeitos terapêuticos complementares) e flavonoides.
Essa sinergia entre os componentes é chamada de efeito entourage e é uma das razões pelas quais o óleo full spectrum costuma apresentar melhores resultados terapêuticos, inclusive em doses mais baixas.
“Cada caso tem a formulação ideal. A dose é sempre individual e o objetivo do tratamento deve guiar a escolha do óleo mais adequado. O ajuste da dose é sempre lento e progressivo, até que o animal vá se adaptando”, orienta Fabiana.
Portanto, em quadros de epilepsia ou ansiedade leve, um óleo com predominância de CBD pode ser suficiente. Já em situações de dor intensa, doenças degenerativas ou câncer, pode-se optar por um óleo com teor equilibrado de CBD e THC, sempre respeitando a sensibilidade do animal e o seu sistema endocanabinoide.
A personalização da terapia — tanto na escolha do tipo de óleo quanto na dosagem — é essencial para garantir segurança e eficácia.
Por isso, a prescrição e o acompanhamento devem ser feitos por um médico veterinário capacitado, que avalie o histórico clínico do animal, possíveis interações medicamentosas e contraindicações específicas.
Principais indicações do uso veterinário
A Cannabis medicinal vem sendo indicada, principalmente, em quatro frentes clínicas:
- Dor crônica e inflamações: artrites, artroses, displasias e dores osteomusculares recorrentes.
- Doenças neurológicas: especialmente epilepsia idiopática, que costuma ter resposta limitada aos anticonvulsivantes convencionais.
- Transtornos comportamentais: como ansiedade de separação, fobias (fogos de artifício, por exemplo), agressividade e estresse pós-traumático.
- Câncer e cuidados paliativos: ajudando a reduzir náuseas, estimular o apetite, controlar a dor e melhorar o bem-estar geral de animais com doenças graves.
“A minha rotina clínica é voltada principalmente a casos de dor crônica, doenças articulares e epilepsia. E o resultado tem sido maravilhoso, inclusive com melhora na imunidade geral dos animais”, comenta a médica.
Diversos benefícios
Além da ação terapêutica, a Cannabis medicinal representa uma mudança no modo de tratar animais idosos ou polimedicados. Muitos tutores relatam dificuldades em administrar remédios tradicionais — comprimidos grandes, horários rígidos, efeitos colaterais intensos.
O óleo de Cannabis, administrado por via oral, pode substituir ou reduzir a necessidade de diversos fármacos, tornando o tratamento mais simples e confortável.
“A vantagem é a facilidade de administração e a possibilidade de reduzir outros medicamentos, o que gera menos estresse para o animal, menos efeitos colaterais e um custo-benefício melhor para o tutor”, explica.
Segurança e contraindicações
Embora a Cannabis medicinal seja considerada segura na prática veterinária, ela não é isenta de riscos. Cada animal possui um metabolismo diferente, e o uso de fitocanabinoides exige avaliação individualizada e acompanhamento de um profissional habilitado.
“Existem sim contraindicações. Animais cardiopatas ou com algumas condições hepáticas, por exemplo, não devem fazer uso do óleo. O acompanhamento por um veterinário é fundamental”, alerta a médica.
Além disso, o uso do THC em animais requer cautela. Embora seja terapêutico em alguns casos, doses elevadas podem provocar efeitos adversos como letargia, desequilíbrio e, em casos graves, intoxicação.
Por isso, a fórmula ideal — em proporção e dose — deve ser definida com base na espécie, peso, idade, diagnóstico e histórico do animal.
Inforção que salva
O uso da Cannabis veterinária ainda sofre com o desconhecimento e o preconceito. Muitos tutores sequer sabem que essa possibilidade existe.
Mas, à medida que mais estudos são divulgados e profissionais capacitados se especializam no tema, o cenário começa a mudar.
“O que eu diria para um tutor que está vendo seu animalzinho sofrer de dor ou ansiedade, mas nunca ouviu falar da Cannabis, é: se abra para essa medicação. Se informe. Busque um profissional qualificado. Os benefícios são cientificamente comprovados e a melhora na qualidade de vida é real”, afirma Fabiana.
Com orientação profissional, a Cannabis medicinal representa um salto qualitativo na forma como cuidamos da saúde dos animais — com mais empatia, ciência e respeito.
Inicie seu tratamento
O uso medicinal da Cannabis já está regulamentado pela Anvisa desde 2014. Médicos, cirurgiões-dentistas e médicos veterinários – com registro profissional ativo – estão aptos a prescrever fitocanabinoides (moléculas medicinais da Cannabis).
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