Estudo da UNILA mostra melhora expressiva com tratamento exclusivo à base de Cannabis medicinal

Um estudo inédito da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), em Foz do Iguaçu (PR), lança luz sobre os potenciais terapêuticos do canabidiol (CBD) em casos complexos e pouco explorados da medicina.

A pesquisa acompanhou, durante um ano, os efeitos do uso de extrato de Cannabis em uma paciente de 7 anos com a rara Síndrome da Microduplicação 16p13.11, associada a atrasos no desenvolvimento, epilepsia, autismo e comportamentos autolesivos.

A síndrome — com apenas cerca de 384 casos relatados na literatura médica mundial — apresenta enorme desafio clínico por envolver múltiplas comorbidades e falta de diretrizes terapêuticas consolidadas.

“O principal desafio com certeza é a falta de conhecimento do impacto clínico que a alteração genética causa”, explica Freddy Romano, um dos autores do estudo e pesquisador do Laboratório de Cannabis Medicinal e Ciência Psicodélica da UNILA.

Uma oportunidade rara de estudo

A escolha do tema não veio de um plano inicial de pesquisa, mas de uma necessidade urgente apresentada por uma cuidadora em busca de alternativas.

“Eu tinha intenção de trabalhar com uma síndrome mais comum, X Frágil. No entanto, a paciente e cuidadora necessitavam de cuidado, me foi apresentada a proposta e eu aceitei”, conta o autor. “Como é uma síndrome ultrarrara, eu não tinha como ‘escolher’ trabalhar com ela, apenas a oportunidade surgiu.”


Tratamento exclusivo com CBD

Apesar da recomendação da equipe médica pela manutenção da polifarmácia, a cuidadora optou por um tratamento exclusivo com canabidiol. 

A dosagem foi cuidadosamente ajustada ao longo dos meses. “Como era esperada necessidade de doses mais altas para a paciente, foi iniciado 70mg/dia. Posteriormente, foi realizada titulação da dosagem até 250mg/dia, em que foi definida como dose ideal até o fim do estudo.”

O extrato utilizado foi o Revivid® Pure Cannabidiol (200 mg/ml), administrado inicialmente com 15 gotas a cada 12 horas, monitorado por escalas de comportamento adaptativo (Vineland-3) e protocolo de efeitos adversos (DEMC).

Os resultados surpreendentes

Em 366 dias de acompanhamento, os pesquisadores notaram melhoras expressivas em quase todos os domínios avaliados, incluindo comunicação, habilidades motoras, sociabilidade, atividades de vida diária e comportamento.

A paciente passou a desenvolver fala, demonstrando inclusive aprendizado de um novo idioma: “O que mais chamou atenção foram o início da comunicação verbal, inclusive sendo capaz de aprender novo idioma local (o neerlandês)”, relata o pesquisador.

Além disso, houve cessação das convulsões e início de vida social ativa: “a capacidade de ir à escola, fazer atividade física e iniciar e manter relacionamentos interpessoais”.

A melhora na autonomia também foi notável. “As habilidades da vida diária, ou seja, a capacidade da paciente em se integrar às atividades da casa, da comunidade e de autocuidado… a paciente inicialmente era incapaz de realizar todas essas atividades antes do tratamento com CBD”, completa Freddy.

Entre os principais avanços relatados pela equipe estão a redução da ansiedade, agitação e sintomas depressivos; melhora da atenção, foco e qualidade do sono; diminuição das convulsões e da seletividade alimentar; além do aumento das habilidades motoras finas e grossas. 

Efeitos observados

Embora o tratamento tenha sido amplamente positivo, houve o surgimento de um efeito adverso observado na segunda metade do estudo: um aumento nos sintomas depressivos.

No entanto, os pesquisadores acreditam que essa piora foi provocada por fatores externos: “foi melhor atribuído ao novo convívio social da paciente com pares em nova escola, visto que o convívio com crianças vem com novos desafios (ainda maiores para um indivíduo neurodivergente).”


Freddy reforça que em nenhum momento a equipe cogitou interromper o tratamento com CBD: “As melhoras foram visíveis desde o início.”

Próximos passos

Agora, o objetivo dos pesquisadores é aprofundar o acompanhamento clínico da paciente e ampliar o estudo.

Também estão previstas novas baterias de exames, como eletroencefalogramas e avaliações cardiovasculares, para refinar o entendimento dos efeitos do canabidiol nesse tipo de condição.

Apesar de ser um estudo de caso, os resultados contribuem para um debate cada vez mais necessário sobre terapias alternativas para condições raras e de difícil manejo.

O tratamento com CBD, mesmo usado isoladamente, se mostrou promissor e seguro, promovendo avanços importantes na qualidade de vida da paciente.

A pesquisa reforça a importância de políticas públicas que estimulem a investigação científica sobre Cannabis medicinal, especialmente em contextos onde a medicina tradicional encontra limites.

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O uso medicinal da Cannabis já está regulamentado pela Anvisa desde 2014. Médicos, cirurgiões-dentistas e médicos veterinários – com registro profissional ativo – estão aptos a prescrever fitocanabinoides (moléculas medicinais da Cannabis).

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Published On: Julho 9th, 2025 / Categories: Notícias / Tags: /