Pesquisa no Pará converte maconha apreendida em combustível sustentável, impulsionando sustentabilidade e inovação ambiental

Dados do último relatório divulgado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) revelam que, no ano de 2024, foram confiscadas cerca de 808 toneladas de maconha, um recorde em meio ao histórico de apreensões anuais da organização. Essa quantidade expressiva reacende o antigo debate acerca de qual seria o destino ideal para as grandes quantidades de drogas apreendidas pelas autoridades brasileiras.

Nesse contexto, surge uma iniciativa inovadora, conduzida em parceria pela Polícia Federal e pesquisadores universitários no Pará, capaz de mudar esse cenário: a transformação da maconha confiscada em um bio-óleo inovador.

Projeto Cannabiocombustível

PF apresenta o ”Projeto Cannabiocombustível” Foto: Divulgação/PF

Intitulado de “Projeto Cannabiocombustível”, o estudo é realizado no Laboratório da Superintendência da Polícia Federal no Pará, e conta com a participação das Universidades Federais do Pará (UFPA) e de Santa Catarina (UFSC). O projeto desponta como um marco na busca por soluções sustentáveis e inteligentes para o descarte dos entorpecentes apreendidos.

Assim, a matéria que tinha a destruição como seu destino final, poderá ser transformada em uma fonte de energia limpa. Para que seja extraído o óleo, é feita a conversão térmica da planta, onde a maconha é aquecida a altas temperaturas e em um ambiente com pouco ou nenhum oxigênio.

Redução de gastos públicos

Esse procedimento gera, além do bio-óleo, subprodutos como biocarvão e vinagre pirolítico, que possuem diversas aplicações, desde a purificação de água até a conservação de alimentos. Enquanto o óleo resultante pode ser destilado para obter frações equivalentes à gasolina e ao diesel, transformando-se, assim, em uma fonte de energia capaz de substituir combustíveis fósseis.

Ademais, a iniciativa destaca-se pela potencial redução de custos para o poder público, pois demanda menos espaço de armazenamento e logística para esses entorpecentes, mas também pelos benefícios ambientais, já que a maconha apreendida deixa de ser simplesmente incinerada, gerando poluição, e ganha nova utilidade como matéria-prima renovável.

Após dois anos de pesquisas, o estudo segue em fase inicial, mas já consolida
um importante passo na busca por soluções inteligentes e sustentáveis para o descarte de entorpecentes, apontando novos caminhos para políticas de segurança e preservação ambiental.