Revisão reuniu 26 estudos pré-clínicos e observou redução do dano cerebral, melhora funcional e ação sobre inflamação e estresse oxidativo

Um estudo publicado em 2 de janeiro de 2026 na revista Frontiers in Neuroscience investigou os efeitos de canabinoides medicinais em modelos animais de AVC isquêmico e encontrou sinais consistentes de neuroproteção em diferentes desfechos experimentais. 

No artigo, os autores lembram que o AVC está entre as principais causas de morte e incapacidade no mundo, e afirmam que o subtipo isquêmico responde por cerca de 65% a 87% dos casos.
Eles também destacam que as opções terapêuticas ainda são limitadas, o que ajuda a explicar o interesse crescente em estratégias neuroprotetoras complementares.

O que é um AVC isquêmico?

O AVC isquêmico é o tipo mais comum de acidente vascular cerebral e acontece quando o fluxo de sangue para uma parte do cérebro é interrompido, geralmente por um coágulo ou pelo entupimento de uma artéria.

Sem a chegada adequada de sangue, oxigênio e nutrientes deixam de alcançar as células cerebrais, que podem começar a morrer em poucos minutos. Por isso, trata-se de uma emergência médica: quanto mais rápido o atendimento, maiores são as chances de reduzir sequelas e preservar funções do cérebro.

Como o estudo foi feito

A etapa de meta-análise reuniu estudos com modelos animais publicados após uma triagem em bases como Web of Science Core Collection, PubMed, Embase e Cochrane Library.

Os pesquisadores informam que localizaram inicialmente 3.936 registros, reduziram esse total para 2.485 após a remoção de duplicatas e, depois da leitura de títulos, resumos e textos completos, incluíram 26 artigos na síntese final.

Os critérios contemplaram experimentos com modelos focais de AVC isquêmico induzidos por oclusão da artéria cerebral média (MCAO), com avaliação de desfechos como escore neurológico, fluxo sanguíneo cerebral, permeabilidade da barreira hematoencefálica, edema, inflamação, apoptose e marcadores de excitotoxicidade.

Os estudos incluídos avaliaram diferentes compostos classificados pelos autores como canabinoides medicinais, entre eles o canabidiol (CBD), em modelos com ratos e camundongos.
Em parte relevante dos trabalhos mais recentes listados na revisão, o CBD aparece com administração intraperitoneal após a indução da isquemia.

O que os pesquisadores encontraram

Segundo a meta-análise, os canabinoides medicinais estiveram associados a redução significativa do volume do infarto cerebral em 22 estudos analisados. O efeito combinado favoreceu o grupo tratado, com diferença média padronizada de -2,12.

Também houve melhora significativa na função neurológica. Em 11 estudos que avaliaram escore neurológico funcional, os autores encontraram benefício no grupo tratado, com diferença média padronizada de -1,62.

O artigo relata melhora em diferentes escalas usadas nos experimentos, como Bederson, Zea-Longa, modified Bederson e sensorimotor deficit score.

fOutro achado foi o aumento da recuperação do fluxo sanguíneo cerebral após a lesão isquêmica. Em quatro estudos que analisaram esse desfecho, o grupo que recebeu canabinoides medicinais apresentou melhora significativa em comparação ao controle.

Nos marcadores de integridade cerebral, a revisão também observou redução da permeabilidade da barreira hematoencefálica e do conteúdo de água no cérebro, um indicador relacionado a edema.

Ação em múltiplas frentes

Para além dos efeitos estruturais e funcionais, os autores descrevem impactos em vias biológicas consideradas centrais na progressão do dano cerebral após o AVC isquêmico.

Segundo a revisão, os canabinoides não só reduziram marcadores inflamatórios associados ao agravamento da lesão, como também demonstraram efeito sobre mecanismos de estresse químico no cérebro, o que reforça a hipótese de um possível papel neuroprotetor após o AVC.

Nos marcadores de estresse oxidativo, os dados descritos no artigo apontam que o CBD aumentou a atividade de enzimas antioxidantes e reduziu os níveis de espécies reativas de oxigênio nos estudos incluídos na revisão.

Na discussão, os autores afirmam que esse conjunto de achados sugere uma ação multitarget dos canabinoides medicinais, com potencial para melhorar o fluxo sanguíneo cerebral, reduzir edema e a permeabilidade da barreira hematoencefálica, além de inibir estresse oxidativo, neuroinflamação, apoptose e excitotoxicidade.

Campo em expansão

O estudo descreve um campo de pesquisa em expansão. Os autores afirmam que, nos últimos cinco anos, começaram a surgir trabalhos voltados à recuperação neural pós-AVC com drogas derivadas da Cannabis, embora esse movimento ainda permaneça no estágio pré-clínico.

O artigo também mostra que os Estados Unidos lideraram o número de publicações identificadas, seguidos por Itália, China e Espanha, e que a Universidade de São Paulo (USP) aparece entre as instituições com maior produção na área.

Apesar dos resultados positivos, os próprios autores pedem cautela. A revisão afirma que a qualidade metodológica geral dos estudos incluídos foi baixa, com falhas frequentes na descrição de randomização e sigilo de alocação. 

Ademais, os autores destacam que houve heterogeneidade importante entre os estudos e que parte dos dados precisou ser extraída de figuras com auxílio de software, o que pode introduzir viés de medida.

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Published On: Março 18th, 2026 / Categories: Notícias / Tags: /