Pesquisa brasileira registrou aumento no MMSE ao longo de 26 semanas de tratamento
Pesquisadores do Laboratório de Cannabis e Psicodélicos da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), em Foz do Iguaçu (PR), publicaram um ensaio clínico que avaliou um extrato balanceado de canabinoides (THC e CBD) em pessoas com demência associada à Doença de Alzheimer.
O estudo, conduzido com desenho considerado referência em pesquisa clínica — randomizado, duplo-cego e controlado por placebo — acompanhou participantes por 26 semanas (cerca de seis meses).
A investigação saiu no Journal of Alzheimer’s Disease (edição de dezembro de 2025) e chama atenção por dois pontos: a duração do acompanhamento e a escolha por doses muito baixas de THC (tetrahidrocanabinol) e CBD (canabidiol), administradas diariamente por via oral.
Como o estudo foi feito
Participaram pacientes entre 60 e 80 anos com diagnóstico de demência associada ao Alzheimer. Durante 26 semanas, os voluntários receberam diariamente, por via oral, placebo ou um extrato com 0,350 mg de THC e 0,245 mg de CBD.
A Universidade Federal da Integração Latino-Americana, instituição envolvida na pesquisa, informa que o ensaio foi conduzido com 28 pacientes nessa faixa etária.
O que os pesquisadores encontraram
O desfecho principal destacado no resumo científico é um resultado no Mini-Mental State Examination (MMSE) — um instrumento amplamente usado para rastreio/avaliação global de funções cognitivas.
Na semana 26, o escore total do MMSE foi significativamente maior no grupo que recebeu o extrato de canabinoides, em comparação ao placebo, conforme análise estatística por modelo misto. Ao mesmo tempo, relata-se que não houve diferença significativa entre os grupos em desfechos secundários e na incidência de eventos adversos.
Os autores descrevem o estudo como, até o momento, o ensaio clínico de maior duração avaliando efeitos de canabinoides em pacientes com Alzheimer, e concluem que o regime testado pode ser uma opção potencialmente eficaz e segura — com a ressalva de que estudos maiores e mais longos são necessários para confirmar o achado.
Em sua comunicação institucional, a UNILA também enfatiza melhora cognitiva observada no grupo que recebeu o extrato e destaca a memória como uma das dimensões com sinal favorável, vinculando esse efeito às medidas do MMSE.
No resumo do artigo, não houve diferença detectável entre placebo e canabinoides quanto à incidência de eventos adversos.
Isso sugere um perfil de tolerabilidade compatível com a proposta de microdose — mas é essencial lembrar que essa conclusão está limitada ao que foi reportado e ao tamanho do estudo.
Por que o resultado importa
O achado no MMSE é um sinal que merece atenção — especialmente por vir de um desenho duplo-cego, com placebo, e por ter um acompanhamento relativamente longo. Mas há limites importantes, sendo a amostra considerada pequena, o que reduz a capacidade de generalizar resultados e aumenta a chance de oscilações estatísticas.
Ademais, o próprio artigo resume o resultado como inicial e afirma que serão necessários ensaios maiores e mais longos para confirmar o achado e sustentar a adoção de canabinoides como terapia para demência relacionada ao Alzheimer.
Transparência: conflitos de interesse declarados
Em registro do PubMed, os autores informam um potencial conflito: dois pesquisadores declaram ser parceiros em uma organização de pesquisa contratada (CRO) focada em ensaios clínicos com Cannabis; os demais autores declaram não ter conflitos.
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Esta matéria é baseada em um depoimento pessoal. Não constitui orientação médica. Tratamentos com Cannabis devem ser discutidos com profissionais habilitados, considerando riscos, interações medicamentosas e o histórico clínico individual.






