Conheça a história de Roberta Kelly, advogada que teve sua vida mudada a partir do uso da Cannabis medicinal
“Eu me escondia no meu sono.” É assim que Roberta Kelly, advogada, descreve um dos aspectos mais difíceis do período em que lidou com episódios depressivos — a ponto de, segundo ela, dormir “mais de 48 horas consecutivas”.
Após o término de um relacionamento que define como tóxico, no início da pandemia, surgiu o quadro depressivo. Para ela, veio como episódios de baixa que se repetiam e “atrapalhavam de diversas formas”: no apetite, períodos de compulsão que poderiam levar a um ganho acelerado de peso; na energia e nos afazeres diários, “eu fazia o básico e acumulava… dava conta só do que era emergencial”.
Roberta também é diagnosticada com Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) desde os 14 anos e com TDAH, ela diz que passou por diferentes prescrições de antidepressivos desde sua adolescência, mas que enfrentava efeitos colaterais importantes.
A advogada conta que fazia uso da planta fumada desde os 15 anos e que, por muito tempo, interpretou isso apenas como um hábito recreativo. A virada em prol de sua saúde mental, relata, veio em 2021, quando teve contato com informação técnica sobre o sistema endocanabinoide e conheceu a possibilidade de tratamento com o óleo de Cannabis.
Como tudo começou
Em 2021, Roberta participou de um evento sobre Cannabis em São Paulo, por já atuar como advogada e prestar assessoria empresarial para uma empresa do setor. A partir deste evento, começou a compreender melhor o sistema endocanabinoide e a lógica do tratamento com Cannabis de forma orientada. Além de ter sido apresentada ao trabalho da Revivid Brasil, e sua representante Daiane Zappe.
Com uma condição financeira instável naquele momento, afirma que recebeu um óleo gratuito da empresa, e, assim, conseguiu iniciar o seu tratamento. “No primeiro mês, eu consegui ver a mudança na rotina do sono”, afirma. O primeiro produto, segundo ela, foi um isolado de CBD, com uma dose de 2,5mg.
A melhora também foi percebida em casa: sua mãe, paciente neuropática com dores crônicas, teria se beneficiado do mesmo produto, antes de evoluir para um acompanhamento mais direcionado.
Com o tempo, Roberta relata que migrou para uma estratégia combinada — óleo full spectrum (extrato com múltiplos canabinoides e compostos da planta, incluindo THC) e gummies, com ajuste de dose ao lado de médicos.
“Desde o início do tratamento eu não tive mais episódios depressivos… são 5 anos sem.” Ela ainda relata crises de ansiedade, mas descreve uma mudança significativa de funcionamento diário.
Roberta frisa a importância de ter estudado mais sobre o funcionamento da planta em seu corpo, e de ter iniciado o tratamento com óleo, ao invés de se manter apenas no uso recreativo: “minha vida mudou”.
Em uma frase, resume a diferença: “Enquanto eu fazia só o uso fumado eu estava sobrevivendo; agora, eu vivo.”
Do recreativo ao tratamento: o que diz a regulação
O relato de Roberta atravessa uma discussão recorrente no Brasil: a distância entre o uso informal da Cannabis e o uso medicinal regulado, com produto rastreável, concentração conhecida e prescrição.
A RDC 327/2019, marco que organizou a categoria “produtos de Cannabis” no país, estabeleceu que esses produtos seriam autorizados apenas para uso oral ou nasal, e proibiu a comercialização “sob a forma de droga vegetal” (a planta in natura).
Na mesma norma, a Anvisa determinou que pacientes devem ser informados sobre riscos, efeitos adversos (como sedação e comprometimento cognitivo) e sobre a própria condição regulatória — com assinatura de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).
Em fevereiro de 2026, a Anvisa publicou novas resoluções e informou que a RDC 1.015/2026 atualiza o marco regulatório anterior, ampliando as formas de administração autorizadas para produtos incluindo vias dermatológica, sublingual, bucal e inalatória, e ajustando regras de acesso em cenários específicos.
Em resumo: a regulação busca separar, na prática, o que é um uso sem padronização de um tratamento estruturado, em que dose, via de uso, acompanhamento e rastreabilidade fazem parte do cuidado — e é justamente nessa transição, do “uso” para o “tratamento”, que o depoimento de Roberta se apoia.
Evidências clínicas: sinal para ansiedade, prudência para depressão
O relato de Roberta ajuda a entender por que a Cannabis entrou no vocabulário da saúde mental — mas ele não pode ser lido como “prova” de eficácia para todos.
Na psiquiatria, a literatura insiste em duas distinções-chave: composto não é tudo igual (CBD e THC têm perfis bem diferentes) e uso medicinal supervisionado não equivale ao consumo informal, especialmente quando há variação de potência e ausência de dose conhecida.
Para ansiedade, há um corpo de evidências mais promissor em torno do canabidiol (CBD), com meta-análises e revisões de ensaios clínicos sugerindo redução de sintomas em alguns quadros — como TAG, ansiedade social e TEPT —, embora os autores ressaltem limitações importantes (amostras pequenas, protocolos heterogêneos e necessidade de estudos maiores e mais padronizados).
Já para depressão e transtornos do humor, o cenário é mais cauteloso: faltam ensaios clínicos robustos, e revisões recentes apontam que, na população geral, o uso frequente — sobretudo de produtos com alto teor de THC (tetrahidrocanabinol) — aparece associado a maior carga de sintomas depressivos e pior desfecho em grupos vulneráveis.
Em resumo, a experiência de Roberta não é “invalidada” pela literatura, mas sim contextualizada. O que os melhores dados reforçam é que quando o assunto é saúde mental, o caminho mais seguro passa por avaliação médica, acompanhamento, ajuste individual de dose e atenção a riscos — incluindo piora de ansiedade, sedação, prejuízo cognitivo e, em alguns perfis, risco aumentado de sintomas psicóticos associado ao THC.
O que fica com o relato
Ao final do depoimento, Roberta faz questão de transformar a própria experiência em acolhimento e orientação para quem está começando a buscar informações sobre Cannabis medicinal e saúde mental. Ela reforça que o primeiro passo deve ser conversar com um médico e procurar profissionais e instituições com atuação responsável e baseada em evidências.
Além disso, se coloca disponível para dialogar com pessoas que estejam passando por situações semelhantes e precisem de direcionamento inicial sobre caminhos de acesso e redes de apoio. O contato dela é pelo Instagram: @robertaadvogadasp.
Se você ou alguém próximo está em sofrimento psíquico intenso, com risco de autoagressão ou sem conseguir manter a rotina, procure atendimento imediato. No Brasil, o CVV (188) oferece apoio emocional 24 horas, e emergências podem ser acionadas pelo SAMU (192).
Inicie seu tratamento
O uso medicinal da Cannabis já está regulamentado pela Anvisa desde 2014. Médicos, cirurgiões-dentistas e médicos veterinários – com registro profissional ativo – estão aptos a prescrever fitocanabinoides (moléculas medicinais da Cannabis).
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Esta matéria é baseada em um depoimento pessoal. Não constitui orientação médica. Tratamentos com Cannabis devem ser discutidos com profissionais habilitados, considerando riscos, interações medicamentosas e o histórico clínico individual.






