Parceria viabiliza pesquisas científicas e amplia a produção de conhecimento nacional
A Universidade de Brasília (UnB) está estruturando um dos centros de pesquisa mais inovadores do país dedicados à Cannabis medicinal.
Trata-se do Observatório Brasileiro Interdisciplinar de Cannabis, uma iniciativa que reúne diferentes áreas do conhecimento para estudar os potenciais terapêuticos da planta, seus processos produtivos e as tecnologias associadas
Sem autorização legal para cultivo, a universidade buscou alternativas para viabilizar os estudos. A solução veio por meio de parcerias com associações de pacientes, como a Abrapango, que passou a fornecer insumos e estrutura técnica para os pesquisadores.
A colaboração foi formalizada por meio de um Acordo de Cooperação Técnica com o Instituto de Química da UnB, e já impulsiona uma série de projetos em andamento.
O ponto de partida
Segundo Ítalo Nascimento, presidente da Abrapango, a aproximação entre a associação e o novo observatório nasceu da iniciativa de docentes da própria universidade, em diálogo com estudantes e pesquisadores interessados no tema.
Ele relembra que a parceria teve início graças à mobilização de um aluno da pós-graduação que já acompanhava de perto o trabalho da Abrapango.
“Tudo começou com o Lucas Cansado, mestrando da UnB em métodos extrativos com Cannabis. Ele já conhecia nossa atuação e queria desenvolver projetos de pesquisa na universidade. Mas, na época, a UnB ainda não tinha autorização para isso”, explica Ítalo.
O movimento encontrou eco entre docentes da instituição, que também carregavam motivações pessoais.
“As professoras Ana Cristian e Fernanda Vasconcelos, que são também as pessoas responsáveis pelo início do Observatório, foram as professoras que desenharam e costuraram o acordo de colaboração técnica para pesquisa com Cannabis medicinal na Universidade de Brasília”, explica. “Uma delas, inclusive, enfrentou um câncer e teve a qualidade de vida profundamente impactada pelo uso da Cannabis”.
Ciência nacional e a urgência da tropicalização
Ítalo destaca que o impacto da parceria vai além da universidade: contribui diretamente para a consolidação da ciência canábica no Brasil.
“Tudo que se diz hoje em relação à Cannabis, principalmente nos aspectos negativos, se dá por uma falsa afirmação de inexistência de evidências científicas”, pontua.
Para ele, o problema não é a falta de estudos, mas a carência de dados produzidos em território nacional. “É por isso que a academia é fundamental nesse processo. Temos muitas universidades e pesquisadores, mas falta uma legislação que permita às instituições pesquisarem com autonomia.”
A produção de conhecimento local também passa pelo que ele chama de “tropicalização” da Cannabis medicinal: “Precisamos adaptar as genéticas, os métodos e as práticas para a realidade brasileira — para que os produtos tenham qualidade e sejam eficazes para a nossa população.”
Insumos, padrões e suporte técnico
A atuação da Abrapango no observatório não se limita ao fornecimento de matéria-prima. A associação doa insumos, equipamentos e materiais essenciais para garantir a qualidade científica das pesquisas.
Entre os materiais fornecidos estão a biomassa in natura, diluições, produtos finalizados desenvolvidos pela associação e os chamados padrões analíticos. Esses padrões são fundamentais para a identificação e quantificação de substâncias como canabinoides e terpenos.
“Para identificar os canabinoides e os terpenos, você precisa calibrar equipamentos como cromatografia líquida e cromatografia gasosa. E pra calibrar esses equipamentos, você precisa ter um padrão”, detalha.
Ele reforça que, sem essa estrutura, os avanços técnicos perdem sentido. “Não adianta desenvolver método de extração ou método de diluição se nós não temos como analisar a qualidade e quantificar essa qualidade dentro de cada produto.”
Conhecimento como ferramenta de acesso
Para Ítalo, investir em ciência é uma das formas mais efetivas de democratizar o acesso à Cannabis medicinal no país.
“Quando falamos de pesquisa, falamos de resultados — e esses resultados podem ser compreendidos e aplicados por médicos, pacientes e profissionais do setor.” Ele reforça que a produção de conhecimento impacta diretamente a segurança e a tomada de decisão dos envolvidos nos tratamentos.
A Abrapango também tem investido na formação continuada, com cursos e capacitações. “Estamos treinando médicos, educando famílias e formando multiplicadores. Quanto mais pessoas tiverem acesso ao conhecimento, mais gente poderá se tratar com segurança e dignidade”, concluiu.
Inicie seu tratamento
O uso medicinal da Cannabis já está regulamentado pela Anvisa desde 2014. Médicos, cirurgiões-dentistas e médicos veterinários – com registro profissional ativo – estão aptos a prescrever fitocanabinoides (moléculas medicinais da Cannabis).
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