Estudo piloto indica que CBD pode ter efeito semelhante ao de analgésicos tradicionais
Um estudo recente, publicado na revista científica Pharmaceuticals, traz evidências preliminares de que o uso oral de canabidiol (CBD) pode aliviar a dor após extração dentária — abrindo caminho para novas abordagens dentro da odontologia e do cuidado pós-operatório.
O que o estudo fez
Batizado de SWAP (Simple Tooth Extraction with Analgesic Phytocannabinoid), o ensaio clínico piloto randomizado avaliou oito adultos submetidos a extração simples de dente.
Eles foram divididos em quatro grupos: duas concentrações distintas de CBD (17 mg/mL e 37 mg/mL), placebo, ou o tratamento tradicional com ibuprofeno + paracetamol.
Os participantes dos grupos de CBD ou placebo receberam 0,5 mL da fórmula a cada 4–6 horas, conforme necessidade, durante até sete dias.
A principal medida de resultado foi a dor relatada em escala de 0 a 10, ao longo das primeiras 72 horas após o procedimento.
Resultados e primeiras conclusões
Apesar do tamanho reduzido — apenas dois pacientes por grupo —, o estudo identificou que o CBD na concentração mais alta (37 mg/mL) gerou uma trajetória de dor muito próxima à observada no grupo tratado com analgésicos convencionais.
Isso indica que, nessa dose, o CBD pode produzir um alívio da dor similar ao oferecido pela terapia tradicional. Por outro lado, a concentração mais baixa (17 mg/mL) não demonstrou benefício claro em relação ao placebo.
Os autores enfatizam a natureza exploratória dos resultados — dada a amostra reduzida e limitações metodológicas —, e recomendam que ensaios mais robustos, com maior número de participantes e placebo “sensorialmente equivalente”, sejam realizados antes que qualquer conclusão definitiva seja traçada.
O CBD na odontologia
O CBD é um canabinoide não-psicoativo derivado da planta Cannabis sativa, valorizado por suas propriedades anti-inflamatórias e analgésicas — características que atraem atenção crescente também no campo da odontologia.
Nos últimos anos, revisões da literatura e estudos experimentais têm apontado que o CBD isolado apresenta efeitos promissores no alívio da dor, com perfil de segurança considerado favorável.
Paralelamente, pesquisas odontológicas preliminares sugerem que o CBD pode desempenhar um papel além da analgesia: há indícios de que ele modula a inflamação em tecidos dentários e favorece processos reparadores.
Em modelos laboratoriais, foram observados estímulos à mineralização da polpa dentária e diminuição da expressão de mediadores inflamatórios em células-tronco e macrófagos, o que sugere potencial de regeneração e proteção dos tecidos bucais.
Essa combinação — alívio da dor e possível efeito reparador — posiciona o CBD como uma alternativa particularmente atraente para uso após procedimentos odontológicos, cirurgias dentárias ou tratamentos invasivos.
Para pacientes que têm sensibilidade a anti-inflamatórios convencionais, contraindicações aos analgésicos tradicionais ou que buscam terapias com menor risco de efeitos adversos, o CBD poderia oferecer uma opção complementar ou adjuvante.
Limitações do estudo
Apesar dos resultados promissores, o estudo piloto tem limitações claras: amostra muito pequena e com baixo número de participantes em cada grupo, além de dados considerados “descritivos” pelos próprios autores, sem poder estatístico suficiente.
Ademais, o uso clínico generalizado de CBD na odontologia ainda encontra obstáculos: há grande variabilidade nas formulações, concentrações, regimes de dosagem e formas de administração — o que dificulta a comparação entre estudos e a definição de protocolos padronizados.
Há também carência de estudos de longo prazo ou com desfechos mais amplos, como cicatrização, infecção, função gengival e segurança em uso contínuo.
Próximos passos
De modo mais amplo, o uso medicinal da Cannabis — e, especialmente, de seus componentes não-psicoativos como o CBD — começa a ganhar espaço na odontologia como inovação terapêutica.
Isso abre uma nova fronteira para tratamentos que vão além do manejo da dor: abarca também a possibilidade de regeneração dentária, controle da inflamação, e cuidados de longo prazo com tecidos bucais.
Contudo, embora as perspectivas sejam promissoras, o campo ainda demanda cautela. Grande parte das evidências até agora é pré-clínica ou experimental; há lacunas significativas em termos de ensaios clínicos robustos, padrões de dosagem e formulações padronizadas.
No contexto brasileiro, onde a discussão sobre terapias com canabinoides vem crescendo, abordagens como essa abrem a possibilidade de expandir o uso não apenas para doenças crônicas ou neurológicas, mas também para demandas comuns e cotidianas da população: procedimentos odontológicos, pós-operatórios, dor aguda transitória.
Se confirmado em estudos maiores, o CBD poderia oferecer uma alternativa terapêutica com bom perfil de segurança e menos efeitos adversos que os anti-inflamatórios convencionais.
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