Mondiacult 2025 legitima a Cannabis como expressão cultural e abre caminho para novas políticas e narrativas

Entre 29 de setembro e 1º de outubro de 2025, a 25ª edição da conferência Mondiacult, promovida pela UNESCO, marcará um divisor de águas simbólico. Pela primeira vez, a Cannabis terá espaço formal nas discussões de política cultural mundial.

A proposta chegou à UNESCO por meio da FAAAT (Forum for Alternative Approaches to Addiction Think & Do Tank) e da Cannabis Embassy. As duas organizações entregaram documentos defendendo o reconhecimento da planta como patrimônio cultural imaterial.

O argumento central é que os usos tradicionais, os saberes populares e os vínculos com a sustentabilidade justificam a inclusão da Cannabis no debate cultural global.

Para os defensores da iniciativa, trata-se de uma oportunidade inédita de romper com um século de proibição e ressignificar narrativas históricas que associaram a planta apenas a estigma e marginalidade.

O que está em jogo

O reconhecimento internacional, apesar de simbólico, traz desafios complexos. Quem terá o poder de decidir quais práticas ligadas à Cannabis serão legitimadas como patrimônio?
Existe o risco de que apenas usos científicos, médicos ou institucionalizados sejam reconhecidos, deixando de lado tradições populares, espirituais ou comunitárias.

Isso, porque, em muitas regiões do mundo, a Cannabis está profundamente entrelaçada a rituais religiosos e à medicina ancestral. Se essas práticas não forem incluídas, o reconhecimento pode reforçar exclusões históricas em vez de superá-las.

Outro ponto importante é a influência prática dessa decisão. Embora a UNESCO não tenha poder de legislar, a organização exerce forte influência simbólica. Muitos países podem sentir-se pressionados a repensar regulamentações, abrindo espaço para avanços legislativos.

Em outras palavras, o que está em jogo não é apenas a legitimidade de uma planta, mas a possibilidade de ressignificar uma história marcada por preconceitos e exclusões, abrindo caminho para políticas mais justas e para uma compreensão mais ampla de seu papel na cultura global.

Um marco que pede ação

A decisão da UNESCO de incluir a Cannabis no debate cultural global vai além do gesto diplomático: é um marco histórico que reposiciona a planta no imaginário coletivo, retirando-a do confinamento proibicionista e reconhecendo seu papel em práticas culturais e identitárias.

Mas para que essa abertura se traduza em transformações concretas, será necessário mais do que discursos. Isso exige políticas públicas efetivas, construídas em diálogo com comunidades tradicionais, regulações sensíveis e uma comunicação clara com a sociedade.

Estamos diante de uma ruptura narrativa. Cabe à sociedade civil, às instituições e à imprensa garantir que essa mudança não se limite ao plano simbólico, mas se converta em avanços reais para aqueles que, há gerações, fazem da Cannabis parte de sua vida e cultura.

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Published On: Setembro 25th, 2025 / Categories: Notícias / Tags: /