Iniciativa comunitária oferece consultas médicas, acompanhamento e óleo gratuito

Um grupo de mulheres do Morro da Cruz, comunidade localizada no município de Porto Alegre, encontrou alívio para dores crônicas a partir de um mutirão de saúde com foco no uso da Cannabis medicinal.

A ação levou médicos prescritores, acompanhamento clínico e óleo gratuito para dez moradoras da região.

Quando a vida inspira transformação

A ideia nasceu de uma necessidade expressa dentro da própria comunidade. Há cerca de oito anos, a representante local Tânia Pires percebeu a urgência das mulheres — em sua maioria costureiras — que sofriam com dores intensas e doenças como fibromialgia, artrite e disfunções ósseas.

“Na época, uma das costureiras tomava onze remédios diferentes, e a médica dela sugeriu a Cannabis como alternativa. Eu mesma importei o óleo, que custava quase dois mil reais. Com o tempo, comecei a educar as moradoras da comunidade, para mostrar que não era um problema, que não viciava, e que podia ser usado como qualquer outro remédio, só que sem efeitos colaterais”, relembra Tânia.

A partir dessa experiência, nasceu o projeto Cannabis Mulheres no Morro da Cruz, idealizado dentro da ONG CIUPOA, onde Tânia atua há mais de 15 anos. O objetivo sempre foi tornar o tratamento acessível para quem não tem condições financeiras, além de fortalecer o protagonismo feminino na saúde da comunidade.

Nesse processo, Tânia buscou apoio para estruturar a iniciativa e, em uma audiência na Câmara Legislativa, conheceu a ativista Liane Pereira. A partir desse encontro, a causa ganhou reforço e visibilidade.

Referência no movimento canábico no Rio Grande do Sul, Liane iniciou sua trajetória pela Cannabis a partir da luta pela saúde da filha, Carol, diagnosticada ainda bebê com uma condição neurológica grave.

Liane e sua filha Carol

Após anos de tentativas frustradas com anticonvulsivantes, o tratamento com a planta, iniciado em 2016, transformou radicalmente a vida da família: as crises diminuíram, a cadeira de rodas, a sonda e as fraldas ficaram para trás, e as internações cessaram.

“Hoje a minha luta não é só pela Carol, mas por muitas Caróis”, afirma Liane, que transformou a experiência pessoal em uma bandeira pelo acesso de outras famílias.

Atendimento especializado e avaliação criteriosa

No primeiro encontro, as pacientes receberam atendimento com um médico psiquiatra, prescrição e auxílio para solicitar a autorização da Anvisa. Além disso, o óleo foi adquirido pelo projeto por meio de doações e distribuído de forma gratuita, garantindo que todas pudessem iniciar o tratamento.

Segundo o médico Dr. Jean Carlos Vanelli (CRM-PR 44.975), que integra a iniciativa, a avaliação segue critérios rigorosos: “Durante a consulta, fazemos um levantamento detalhado do histórico clínico, dos sintomas mais prevalentes e dos tratamentos anteriores. A partir disso, identificamos o potencial terapêutico e definimos o quimiotipo mais adequado do óleo para cada caso”, explica.

Jean destaca que, além das queixas de dor crônica, também foram atendidos pacientes com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista.

Acompanhamento e ajustes de dose

Após a primeira etapa, um novo mutirão foi realizado para ajustes de dose e inclusão de outros produtos, como pomadas e roll-ons. Nesse momento, muitas relataram a diminuição do uso de outros medicamentos, a partir do tratamento com a Cannabis.

As mulheres também passaram por consultas com ortopedistas, o que permitiu diagnósticos mais precisos.

“Os tratamentos canábicos precisam desse momento de sentar, conversar e ajustar a dose. É isso que garante o resultado”, enfatiza Liane, que acompanha pessoalmente as rodas de conversa no Morro da Cruz.

 

Vanelli também reforça a importância desse acompanhamento:  “Oriento os pacientes a me procurarem pelo WhatsApp em caso de dúvidas no início do tratamento. Também oferecemos consultas de retorno entre 30 e 60 dias, já que o ajuste da dose deve ser feito gradualmente, podendo levar até três meses.”

Rede de apoio e continuidade

Para garantir a continuidade do tratamento, cada paciente passou a contar com padrinhos e madrinhas que ajudam a custear o óleo. Ademais, o projeto mantém uma tabela organizada com dosagens e duração dos frascos, garantindo que nenhuma mulher fique sem acesso ao medicamento.

Atualmente, a iniciativa já se expandiu dentro da própria comunidade. Além do grupo inicial, outros dois núcleos foram formados, desta vez com acompanhamento de médicos locais.

Jean reforça que a proposta pode alcançar ainda mais pessoas: “Como o atendimento pode ser feito por telemedicina, sigo acompanhando pacientes em todo o país e estou à disposição sempre que houver novos mutirões”, afirma.

Um projeto que transforma

O objetivo, segundo as organizadoras, é tornar o projeto recorrente e consolidar a Cannabis medicinal como uma alternativa de saúde acessível.

“É com muita alegria que participo desse projeto, porque saiu do papel uma ação que vai beneficiar muitas pessoas que, sem isso, não estariam bem hoje.”, celebra Liane.

Tânia ressalta que a luta não se limita à saúde imediata, mas dialoga com um contexto ainda maior. A CIUPOA atua em frentes ligadas às mudanças climáticas, e a saúde das mulheres é entendida como parte dessa adaptação social.

“A grande batalha é que o SUS libere esse tratamento, porque essas mulheres não conseguem comprar a Cannabis. E mulheres saudáveis e empoderadas enfrentam melhor os desafios das mudanças climáticas que já estão instaladas nas cidades, no país e no mundo”, afirma.

Inicie seu tratamento 

O uso medicinal da Cannabis já está regulamentado pela Anvisa desde 2014. Médicos, cirurgiões-dentistas e médicos veterinários – com registro profissional ativo – estão aptos a prescrever fitocanabinoides (moléculas medicinais da Cannabis).

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Published On: Setembro 3rd, 2025 / Categories: Notícias / Tags: /