Nova portaria do MAPA define exigências sanitárias para empresas nacionais
O governo federal oficializou nesta quarta-feira (30) um novo capítulo na construção de um mercado de Cannabis medicinal mais estruturado no Brasil.
Por meio de uma portaria publicada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), foram definidos os critérios sanitários que regulamentam a importação de sementes de Cannabis sativa por empresas nacionais — algo até então marcado por lacunas e burocracias pontuais.
A principal mudança trazida pela portaria do Ministério da Agricultura está na formalização das exigências sanitárias para que empresas brasileiras possam importar sementes de Cannabis.
A partir de agora, o processo passa a seguir critérios técnicos bem definidos, com foco na rastreabilidade, segurança fitossanitária e controle de qualidade do material genético.
Novas exigências
Entre as exigências, destaca-se a obrigatoriedade de um Certificado Fitossanitário emitido pela autoridade oficial do país exportador, que deve conter declarações adicionais comprovando a ausência de pragas de relevância agrícola.
Caso a praga não ocorra no país de origem, é possível apresentar uma declaração alternativa, desde que previamente validada pela autoridade fitossanitária brasileira.
Além disso, todas as remessas passarão por inspeção obrigatória na entrada no Brasil, com coleta de amostras para análise laboratorial, a serem custeadas pelo importador.
Se forem detectadas pragas quarentenárias, o lote poderá ser rejeitado, destruído ou devolvido, e a importação do país de origem poderá ser suspensa até nova avaliação.
A portaria também enquadra as sementes de Cannabis sativa na Categoria 4 de risco fitossanitário, o que implica em um controle mais criterioso por parte das autoridades brasileiras.
Com isso, o governo busca garantir que apenas material com procedência segura e rastreável ingresse no país, protegendo a agricultura nacional e promovendo uma base sólida para o avanço do setor de Cannabis medicinal.
Por que essa decisão importa?
A criação de regras claras para a importação de sementes de Cannabis sativa representa muito mais do que um avanço técnico — trata-se de uma medida estratégica com impacto direto sobre toda a cadeia da Cannabis medicinal no Brasil.
Na prática, a portaria oferece segurança jurídica para que empresas possam investir com mais previsibilidade, abre caminho para o desenvolvimento de pesquisas nacionais com material genético de qualidade e, sobretudo, contribui para a construção de um mercado menos dependente de insumos e produtos estrangeiros.
Hoje, a maioria dos medicamentos à base de Cannabis disponíveis no Brasil é importada já em forma de óleo ou extrato, com custos elevados que dificultam o acesso da maior parte da população.
Ao facilitar a entrada regular de sementes, a medida possibilita o início de cultivos controlados para fins científicos e farmacêuticos, o que pode, a médio prazo, reduzir preços, ampliar a oferta de produtos e democratizar o acesso aos tratamentos.
Além disso, o Brasil passa a ter a oportunidade de adaptar o cultivo às suas condições climáticas e desenvolver, internamente, variedades mais eficazes para diferentes perfis terapêuticos. Isso fortalece a autonomia científica e tecnológica do país, colocando-o em sintonia com o avanço do setor no cenário internacional.
Mais perto do solo brasileiro
Na prática, a publicação da portaria sinaliza a disposição do Estado em se aproximar de uma regulamentação mais ampla e moderna.
Embora o plantio da Cannabis para fins medicinais ainda dependa de autorizações específicas e não seja permitido para fins comerciais, a definição de regras para as sementes indica que o debate em torno do cultivo está longe de ser estagnado.
Essa movimentação também se soma a outros esforços regulatórios em curso, como a revisão da RDC 327/2019 pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), e o avanço de projetos de lei no Congresso voltados à produção nacional da planta.
Dessa forma, com a crescente demanda por terapias à base de Cannabis, o Brasil começa, ainda que a passos cautelosos, a desenhar sua própria política pública para o setor.
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O uso medicinal da Cannabis já está regulamentado pela Anvisa desde 2014. Médicos, cirurgiões-dentistas e médicos veterinários – com registro profissional ativo – estão aptos a prescrever fitocanabinoides (moléculas medicinais da Cannabis).
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