Uma aliada na recuperação, foco e saúde mental de atletas

No esporte de alto rendimento, a rotina exaustiva de treinos e competições exige mais do que força física. A recuperação muscular, o sono de qualidade e o equilíbrio emocional são pilares fundamentais para sustentar a performance ao longo do tempo.

Sendo assim, cresce entre atletas a busca por práticas mais integradas e menos invasivas de cuidado com o corpo.

É nesse cenário que se insere a trajetória de Fernando Paternosto, empresário da Cannabis e triatleta brasileiro que repensou suas estratégias de desempenho e autocuidado ao integrar a Cannabis medicinal em sua rotina.

Fernando Paternosto, triatleta

“O triathlon entrou na minha vida como um chamado. Sempre fui inquieto, sempre busquei o desconforto que gera evolução — e o triathlon entrega isso em dobro”, conta.

Para ele, o esporte foi se tornando uma prática integral, que envolve corpo, mente e espírito. “O esporte me ensinou a escutar meu corpo, a entender meus ciclos, minhas pausas, meus limites. E isso moldou não só o atleta, mas o homem que sou hoje.”


Cannabis como virada de chave

O uso da Cannabis medicinal surgiu em um momento de esgotamento físico e mental. “Tive um ciclo de treinos pesados, sinais claros de overtraining e noites mal dormidas que começaram a cobrar um preço alto”, relembra.

Foi então que passou a pesquisar alternativas aos medicamentos tradicionais — iniciando um processo de mudança baseado na escuta corporal, acompanhamento profissional e novas referências terapêuticas.

“Comecei a conversar com médicos, com outros atletas… e entendi que o sistema endocanabinoide poderia ser uma chave que a maioria de nós nunca tinha olhado.”

 

Uso integrado e personalizado

Atualmente, Fernando faz uso de canabinoides como CBD (Canabidiol), CBG (Canabigerol) e THC (Tetrahidrocanabinol), cada um com uma finalidade. “Uso a Cannabis de forma integrada. Em alguns momentos, para acelerar a recuperação muscular e reduzir inflamação. Em outros, para relaxar, dormir melhor ou ajustar o foco.”

Segundo ele, a performance esportiva não pode ser vista apenas como resultado físico: “A clareza mental, o equilíbrio hormonal e o sono de qualidade têm tanto peso quanto um bom treino.”

 

Menos química, mais escuta

Antes da Cannabis, como muitos atletas, Paternosto recorria a anti-inflamatórios, relaxantes musculares e medicamentos para dormir.

“Esses recursos resolviam uma coisa e geravam outra — um efeito colateral, uma ressaca química, um desconforto silencioso.” A Cannabis, em sua experiência, se mostrou uma alternativa “natural, funcional e mais gentil”.

Os efeitos positivos vieram com o tempo. “A principal mudança foi a redução do ruído interno. A ansiedade antes das provas diminuiu, meu sono melhorou absurdamente e a recuperação ficou mais rápida.”

O triatleta também destaca o impacto na concentração e na qualidade dos treinos: “Quando você está inteiro, você acessa outra camada de energia.”

 

Desinformação trava adesão médica

Segundo o ortopedista e especialista em medicina esportiva Dr. Jimmy Fardin (CRM 31800-BA e RQE 15562), o uso da Cannabis no esporte ainda enfrenta resistência, mas vem ganhando espaço à medida que crescem os estudos e a demanda dos próprios atletas.

Dr. Jimmy Fardin, ortopedista e especialista em medicina esportiva

“Hoje, ainda há muita restrição quanto ao uso da Cannabis por atletas, principalmente pela desconfiança sobre a pureza dos produtos e o risco de contaminação com substâncias que possam acusar doping”, explica.

Segundo ele, essa resistência não vem apenas das entidades esportivas, mas também da própria comunidade médica. “A maioria dos médicos do esporte ainda não aderiu ao uso porque não conhece a fundo os canabinoides. Mas isso está começando a mudar com o aumento do interesse e da educação sobre o tema.”

Canabinóides e performance esportiva

Na prática clínica, ele relata benefícios variados dependendo da modalidade. “O THC, por exemplo, tem se mostrado útil em treinos de longa duração, como maratonas ou provas de endurance, por ajudar na recuperação e no relaxamento. 

Já o CBD é um excelente anti-inflamatório e ansiolítico. O CBC, outro canabinoide que uso bastante, tem mostrado bons resultados na melhora da dor, da ansiedade e do foco.”

Para o especialista, a Cannabis pode ser uma ferramenta para reduzir a dependência de medicamentos convencionais.

“Anti-inflamatórios e relaxantes musculares são amplamente usados, mas também podem cair no doping e geram muitos efeitos colaterais. A Cannabis aparece como uma opção mais segura e equilibrada para o manejo da dor, do sono e da recuperação muscular.”

Dr. Fardin também aponta avanços concretos na qualidade de vida dos pacientes. “Tenho observado melhora significativa em paratletas, principalmente em relação à dor crônica, saúde mental, ansiedade e disposição para os treinos. Eles relatam menos dor durante e após as provas, sono de melhor qualidade e uma sensação geral de bem-estar.”

Ação anti-inflamatória natural

Segundo o médico, a Cannabis atua diretamente na inflamação provocada pelo esforço físico. “Durante o exercício, o corpo gera microlesões musculares, que desencadeiam uma resposta inflamatória. A ativação do sistema endocanabinoide ajuda a modular essa inflamação, diminuindo a produção de radicais livres e espécies reativas de oxigênio — que são as responsáveis por dores, cãibras e fadiga muscular.”

Esse efeito, segundo ele, permite uma recuperação celular mais saudável. “Ao reduzir o estresse oxidativo, os canabinoides ajudam o músculo a se regenerar de forma mais eficiente, com menos toxinas e inflamação persistente.”

Uso competitivo e as diretrizes da WADA

Embora o uso medicinal da Cannabis esteja em expansão entre atletas, é importante considerar as normas da Agência Mundial Antidoping (WADA), que ainda impõem limites ao uso durante competições.

Desde 2018, o CBD isolado foi retirado da lista de substâncias proibidas pela agência, permitindo seu uso legal por atletas de alto rendimento.

Já o THC permanece sob restrição, mas não é totalmente proibido: a WADA estabelece um limite de tolerância de 150 ng/mL no sangue no dia da competição, acima do qual o atleta pode ser penalizado por doping.

Por isso, atletas que fazem uso terapêutico de canabinoides devem ter atenção redobrada na preparação para competições.

A escolha correta do produto, o acompanhamento profissional e a suspensão antecipada de qualquer fórmula com risco de contaminação são medidas fundamentais para garantir segurança e conformidade com as regras vigentes.

Avanço científico, atraso legal

Apesar dos avanços nas diretrizes internacionais, como a liberação do CBD pela WADA, a regulamentação como um todo ainda é considerada defasada.

“Acho que a regulação ainda é muito rasa e baseada mais em preconceito do que em ciência. A WADA já deu um primeiro passo ao liberar o CBD, mas ainda existe um medo institucional de lidar com o tema”, diz Fernando.

Jimmy concorda. “As regras ainda não acompanham o avanço da ciência. Muitos canabinoides que seguem proibidos não alteram a performance e poderiam ser usados com segurança. Já há evidências científicas mostrando isso.”

 

Uso consciente é essencial

Embora os benefícios sejam promissores, o uso deve ser sempre orientado por profissionais capacitados. “Todo medicamento pode apresentar riscos quando mal administrado. No caso da Cannabis, é preciso avaliar o perfil do atleta, a modalidade, e as condições pré-existentes”, afirma o ortopedista.

“Por exemplo, o THC pode afetar o reflexo e a atenção, então pode não ser indicado para esportes que exigem foco absoluto, como o tiro esportivo. Também deve haver cautela com pacientes com histórico de psicose, arritmias não controladas ou glaucoma.”

 

Compartilhar para transformar

Além da vivência pessoal, Fernando decidiu compartilhar sua trajetória com mais pessoas. O resultado foi o livro “Atleta Cannabis”, que também deu origem a um projeto digital com o mesmo nome.

“Quis compartilhar com outros atletas esse caminho que pra mim tem sido tão transformador”, afirma. A iniciativa reúne conteúdos, reflexões e informações sobre o uso consciente da Cannabis no contexto esportivo, aproximando ciência, prática e diálogo em sua página do Instagram.

Inicie seu tratamento 

O uso medicinal da Cannabis já está regulamentado pela Anvisa desde 2014. Médicos, cirurgiões-dentistas e médicos veterinários – com registro profissional ativo – estão aptos a prescrever fitocanabinoides (moléculas medicinais da Cannabis).

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Published On: Julho 3rd, 2025 / Categories: Notícias / Tags: /