Canabidiol e cannabidivarina mostram ação antifúngica promissora em estudo recente
Um estudo publicado na PLOS Neglected Tropical Diseases lançou luz sobre o potencial terapêutico pouco explorado de compostos não psicoativos da Cannabis no combate a infecções fúngicas graves e negligenciadas.
A pesquisa investigou o canabidiol (CBD) e a cannabidivarina (CBDV), dois fitocanabinoides conhecidos por seus efeitos anti-inflamatórios e ansiolíticos, mas que agora se revelam candidatos promissores ao desenvolvimento de novos agentes antifúngicos.
A ameaça invisível dos fungos
As infecções fúngicas representam uma ameaça crescente à saúde global, com estimativas de que afetam mais de um bilhão de pessoas e sejam responsáveis por cerca de 3,8 milhões de mortes por ano.
Entre os patógenos mais perigosos está o Cryptococcus neoformans, um fungo encapsulado associado principalmente a infecções do sistema nervoso central em pessoas imunossuprimidas, como portadores de HIV/AIDS.
Classificado pela Organização Mundial da Saúde como prioridade crítica para pesquisa e desenvolvimento de novos medicamentos, o C. neoformans apresenta taxas de mortalidade elevadas e opções terapêuticas limitadas, muitas vezes associadas a efeitos colaterais graves.
Ação antifúngica do CBD e CBDV
No estudo, os pesquisadores analisaram como dois compostos da Cannabis — o CBD e o CBDV — agem contra diferentes tipos de fungos que causam doenças, como o Cryptococcus neoformans (ligado a infecções no sistema nervoso de pessoas com imunidade baixa), dermatófitos (causadores de micoses e frieiras) e leveduras do gênero Candida.
Os testes em laboratório mostraram que o CBD foi especialmente eficaz contra o C. neoformans, conseguindo impedir seu crescimento com uma concentração baixa da substância (6,25 microgramas por mililitro).
O CBDV também teve bons resultados, embora com uma dose um pouco maior (12,5 µg/mL). Além de inibir o crescimento dos fungos, os dois compostos também conseguiram matá-los: o CBD com 25 µg/mL e o CBDV com 50 µg/mL.
Outro ponto importante do estudo foi a capacidade dos canabinoides de impedir a formação de biofilmes — uma espécie de “escudo” que os fungos criam para se proteger e resistir aos medicamentos tradicionais.
Os cientistas também notaram mudanças importantes dentro das células dos fungos, como alterações no funcionamento das mitocôndrias (as “usinas de energia” das células) e em proteínas que ajudam a manter o equilíbrio interno do organismo.
Desafios e possibilidades terapêuticas
Apesar dos avanços, os autores alertam que a administração sistêmica dos compostos ainda apresenta desafios, principalmente devido à baixa solubilidade aquosa do CBD e do CBDV, o que dificulta o uso por via intravenosa ou oral para infecções sistêmicas.
Por outro lado, os resultados obtidos reforçam o potencial de desenvolvimento de formulações tópicas, como cremes e pomadas, voltadas ao tratamento de infecções cutâneas causadas por fungos dermatófitos e leveduriformes.
Um ponto de destaque do estudo é o perfil de segurança do CBD, já amplamente documentado em seres humanos. O canabinoide é utilizado em diversas formulações farmacêuticas, como no tratamento de epilepsia refratária, e apresenta boa tolerabilidade mesmo em doses elevadas e uso prolongado.
Esse fator pode acelerar a transição dos estudos pré-clínicos para os ensaios clínicos em humanos, encurtando o caminho para a eventual aprovação de novos medicamentos.
Um novo caminho para a Cannabis medicinal
A pesquisa amplia o horizonte das aplicações da Cannabis medicinal, tradicionalmente associada ao manejo de dor crônica, epilepsia e distúrbios neurológicos.
Ao identificar propriedades antifúngicas em compostos da planta, os cientistas abrem uma nova frente de combate contra doenças negligenciadas e reforçam a necessidade de mais investimentos em estudos clínicos, formulação e desenvolvimento de fármacos à base de canabinoides.
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