A história de Daniel Fonseca viraliza na internet, inspirando famílias e levantando debate sobre terapias alternativas no tratamento de doenças neurodegenerativas.

Nesta semana, um vídeo viralizou nas redes sociais e emocionou milhares de pessoas: nas imagens, Daniel Fonseca, de 87 anos, aparece caminhando com firmeza, sorrindo e até tocando gaita — uma cena impensável até pouco tempo atrás.

Diagnosticado com Alzheimer no fim de 2023, o militar aposentado enfrentava um quadro severo da doença, com crises de agressividade, apatia, perda de mobilidade e memória. O tratamento convencional, apesar de necessário, trouxe efeitos colaterais severos. “Ele ficava dopado, grogue, deitado o dia inteiro. Isso, para um homem tão cheio de vida, foi desesperador de ver”, relembra Andréa Fonseca, sua filha e cuidadora.

A transformação veio com o início de um tratamento à base de Cannabis medicinal, conduzido com acompanhamento médico e sob os cuidados atentos de Andréa. Ela, que é influenciadora digital, decidiu compartilhar a trajetória do pai nas redes sociais, e a repercussão que tem tido revelou não só a potência do Canabidiol, mas também a urgência de discutir alternativas mais humanas no cuidado de pacientes com doenças neurodegenerativas.

O início de uma busca

“Meu pai sempre foi muito ativo. Andava a cavalo, dirigia, fazia exercícios, cuidava dos cachorros… Trabalhou na Aeronáutica até os 80 anos”, conta Andréa Fonseca. Os primeiros sinais da doença surgiram com episódios de desorientação: “Ele saía de carro e não sabia como voltar para casa.” Com o avanço do Alzheimer, vieram as crises neurológicas, os desmaios, a perda de apetite e as internações frequentes. “Ver aquele homem cheio de vida totalmente dopado pelos medicamentos foi desesperador”, relembra.

Dr. Jimmy Fardin, especialista em medicina endocanabinoide

Em dezembro de 2023, uma conversa com uma amiga despertou em Andréa a esperança por um tratamento alternativo. “Ela me contou que o filho, que sofria de epilepsia, teve uma melhora impressionante com o Canabidiol. Aquilo me marcou profundamente.” A partir dali, Andréa decidiu buscar ajuda especializada — e chegou até o Dr. Jimmy Fardin Rocha.

O médico, que atua com Cannabis medicinal desde 2018 e é um dos principais nomes da área no país, assumiu o caso. Membro fundador da Associação Médica Brasileira de Endocanabinologia e coordenador da pós-graduação em medicina canabinoide do grupo CONAES, Jimmy traz no currículo uma ampla experiência com tratamentos em pacientes com doenças neurodegenerativas.

“Quando conheci o Daniel, ele estava em um estado bastante debilitado, com irritabilidade, insônia, fadiga, perda de apetite e lapsos de memória. Já havia passado por memantina, rivastigmina, antidepressivos e outras medicações, sem sucesso. A família estava esgotada. Era hora de tentar uma abordagem diferente.”

Obstáculos no caminho

O processo para conseguir a receita e a autorização da Anvisa surpreendeu pela agilidade. “Foi tudo muito simples, sem nenhuma burocracia. Hoje em dia, está bem mais fácil — a aprovação da Anvisa é praticamente imediata.” No entanto, um novo obstáculo apareceu: as enchentes que atingiram Canoas, no Rio Grande do Sul, em maio de 2024. “Foi um caos. A gente já tinha feito o processo de importação do Canabidiol, mas entre o prazo da entrega e o caos da enchente, simplesmente não conseguimos receber a medicação a tempo.”

Até esse momento, Daniel recebia atendimento no Hospital da Aeronáutica, onde havia sido internado diversas vezes devido às crises intensas causadas pelo Alzheimer. “A gente sempre recorria ao Hospital da Aeronáutica, que era nossa referência. Mas durante as enchentes, tudo mudou. O hospital passou a funcionar como um hospital de campanha, com estrutura extremamente limitada. Foi um caos”, relembra Andréa. “As crises ficaram mais intensas, mais frequentes, e a gente estava sem estrutura nenhuma. Foi, sem dúvida, o momento mais crítico pra gente.”

Diante da falta de recursos para oferecer os cuidados necessários em casa, especialmente após os impactos das enchentes, os próprios profissionais do hospital sugeriram a transferência de Daniel para um Lar de Permanência para Idosos (LPI), onde ele vive até hoje.

De volta à essência

O tratamento com Canabidiol começou, enfim, no dia 25 de junho de 2024. “Naquela época, o papai não andava. Enrolava a língua pra falar. A gente achava que não teria mais volta…” Mas os resultados surpreenderam. “Três dias depois do início do tratamento — três dias! — ele já andava normalmente. Em dez dias, já estava tocando a gaitinha. Em quinze dias, cantando. A melhora foi absurda. Rápida. Profunda. Parecia milagre.”

Segundo Andréa, o impacto da Cannabis foi transformador. “Hoje, ele não tem mais crises. Anda perfeitamente, voltou a ser uma pessoa alegre, carinhosa, presente.” Apesar do Alzheimer ainda estar presente, ela descreve o pai como alguém que retomou sua essência. “É ele de novo. O mesmo de antes. Com um brilho no olhar. E isso, pra mim, já é tudo.”

A ciência por trás da transformação

Segundo o Dr. Jimmy, o Alzheimer é caracterizado por uma inflamação neuronal decorrente do acúmulo de proteínas beta-amiloides, que degradam sinapses e interferem na formação da memória. Os canabinoides atuam diretamente no sistema nervoso central, ajudando a modular a resposta inflamatória e a proteger os neurônios. “A Cannabis é uma molécula versátil, que interage com receptores serotoninérgicos, dopaminérgicos, colinérgicos… além de atuar na defesa do sistema nervoso. Embora não seja uma cura, ela é uma ferramenta poderosa para aliviar sintomas e desacelerar a progressão da doença, ou até diminuir o estágio em que o paciente se encontra”, explica.

No caso de Daniel, o tratamento teve início com um óleo full spectrum de 3000mg, administrado em uma dose inicial de 10mg por dia. A cada dia, a dose foi sendo aumentada de forma progressiva, respeitando a resposta do organismo. Mais adiante, o médico introduziu também o Delta-8 THC, em uma formulação balanceada (1000mg de CBD para 500mg de Delta-8 THC), com dose inicial de apenas 0,5mg de THC — justamente para garantir o efeito terapêutico sem provocar psicoatividade.

Uma decisão solitária — e transformadora

Nem todos na família estavam convencidos. “Minha irmã era contra, principalmente por causa do custo. Mas eu estava decidida. Paguei tudo do meu bolso. Era uma esperança que eu não podia deixar passar”, afirma Andréa.

Hoje, Daniel não apenas se alimenta melhor, dorme bem e se movimenta com autonomia, como também resgatou vínculos afetivos. “Eu tinha medo de chegar perto do meu pai. Não sabia se ele ia ser agressivo ou se ia cair no chão. Era um susto diferente todo dia. Hoje, ele é outra pessoa. Carinhoso, querido, brincalhão. Ele voltou a ser ele.”

O impacto coletivo

A viralização do caso nas redes não apenas serviu para dar visibilidade à eficácia do tratamento, como também despertou esperança em inúmeras famílias que convivem com os desafios do Alzheimer e de outras doenças neurodegenerativas. Em um cenário ainda marcado por estigmas e desinformação, o relato sincero de Andréa — que decidiu compartilhar a jornada do pai com seus mais de 200 mil seguidores, pelo perfil @deapeople — se transformou em um instrumento de conscientização e acolhimento.

“Mais vale tentar e descobrir do que viver com o arrependimento de não ter tentado. Canabidiol salva vidas”, afirma, com a firmeza de quem viu a transformação acontecer diante dos próprios olhos. Em tempos em que envelhecer com qualidade se torna um dos grandes desafios da medicina, histórias como essa iluminam possibilidades e reforçam a importância de uma abordagem mais humana, personalizada e aberta ao novo.

Para aprofundar a discussão, Andréa e o Dr. Jimmy Fardin Rocha realizarão uma live no próximo dia 21 de abril, diretamente pelo Instagram @deapeople, para comentar o caso, explicar detalhes do tratamento e tirar dúvidas de quem busca entender melhor o uso medicinal do Canabidiol.

Você sabia que o uso medicinal da Cannabis é legal e regulamentado no Brasil pela Anvisa desde 2014? Os canabinoides podem tratar mais 30 diferentes patologias.

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Published On: Abril 16th, 2025 / Categories: Notícias / Tags: /