O aumento populacional aliado à exploração inadequada dos recursos naturais resultou em uma série de desafios ambientais, incluindo os efeitos estufa. Essas mudanças climáticas desencadearam crises econômicas, ambientais, sociais e energéticas globais. Para enfrentar esses desafios, foram propostas soluções, como o Protocolo de Kyoto, que incentiva o uso de energias renováveis e promove mudanças no paradigma atual rumo à sustentabilidade.

A crise energética e alimentar global exige diversificação e inovação nos métodos de produção, especialmente no setor energético. A busca por fontes alternativas e renováveis tornou-se crucial para garantir o abastecimento sustentável de energia, sendo a energia solar, eólica, de biomassa, hídrica, maremotriz e geotérmica algumas das opções em destaque.

Desde a década de 70, a humanidade tem se preocupado com questões ambientais e o conceito de desenvolvimento sustentável. Esse conceito busca soluções que combinem desenvolvimento econômico com responsabilidade ambiental e qualidade de vida social.

O cânhamo industrial emergiu como uma matéria-prima versátil e renovável, com custos variáveis de produção. Pode ser cultivado como uma cultura energética, contribuindo para a produção de biocombustíveis e energia a partir de sua biomassa. O Brasil, líder mundial no uso de fontes convencionais de energia renovável, possui um extenso território agricultável que favorece a produção de matéria-prima verde e capacidade produtiva.

Pesquisadores como Carlos (2017) e Borges (2017) destacam o potencial do Brasil na produção de biomassa e energia renovável, com vantagens competitivas e impactos ambientais limitados. O cânhamo industrial apresenta alta eficiência no uso do solo e fixação de carbono, otimizando a fertilidade natural dos solos e oferecendo benefícios ambientais.

Além disso, o cânhamo é uma biomassa fitorremediadora, capaz de descontaminar solos e ser utilizado como biochar, sendo empregado como corretivo do solo junto a tecnologias agrícolas, promovendo o sequestro de carbono, enriquecendo a microbiota do solo e reduzindo as emissões de carbono.

O cultivo de cânhamo não apenas oferece benefícios ambientais, mas também pode impulsionar a economia rural, proporcionando uma fonte adicional de renda para os agricultores. A utilização sustentável do cânhamo pode contribuir significativamente para a mitigação das mudanças climáticas e promover o desenvolvimento rural sustentável.

No entanto, para explorar plenamente essas possibilidades, é essencial uma regulamentação adequada da cultura do cânhamo. A regulamentação pode viabilizar pesquisas, desenvolvimento e inovação, permitindo o avanço tecnológico e a adoção de práticas sustentáveis na produção de energia e biomassa.

A transição para fontes de energia renovável é uma prioridade global e o Brasil possui um grande potencial para liderar esse movimento. O cultivo de cânhamo como matéria-prima para biocombustíveis e energia renovável pode desempenhar um papel fundamental nessa transição, oferecendo uma alternativa sustentável e promissora para o futuro energético do país.

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Caio Fernando De Campos Lambert é Engenheiro Agrônomo,

Mestrando em desenvolvimento rural sustentável – PPGDRS – Unioeste e

Diretor geral ICT Cannabis Brasil.

caiolambertag@gmail.com